Apesar do apoio, PMDB não fechará questão sobre reformas

Apesar de ter formalizado hoje o apoio ao governo, passando a integrar a base parlamentar governista no Congresso, o PMDB não fechará questão para aprovar a constitucionalidade das reformas previdenciária e tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, uma posição que vem sendo adotada pelos aliados do Palácio do Planalto. "Não dá para fechar questão porque há convicções jurídicas", disse o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), afirmando que, como integrante da CCJ, votará contra a taxação dos servidores inativos. No governo passado, Temer votou a favor desse dispositivo, mas agora o considera inconstitucional. Portanto, se houver destaque para votação em separado, ele ficará contra a orientação do governo. O presidente do PMDB garantiu, no entanto, o apoio do partido às reformas e disse que isso ficou explícito na reunião da Executiva Nacional, mesmo entre os peemedebistas que defenderam a independência em relação ao governo. "A decisão de hoje solidificou uma aliança congressual com o governo", afirmou Temer.A Executiva é a mesma que, no ano passado, impôs a candidatura do tucano José Serra (PSDB-SP) à Presidência da República, apesar da resistência do então grupo dissidente liderado pelo senador José Sarney (AP) e pelo ex-governador Orestes Quércia, que apoiaram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. "Mudaram as circunstâncias políticas", justificou Temer. Ele argumentou ser difícil para o PMDB deixar de apoiar as propostas do governo petista pois, segundo Temer, as reformas da Previdência e tributária são idênticas às enviadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. "As propostas de reformas são absolutamente as mesmas. A política econômica é a mesma. Como vamos nos opor a isso? Nem o PSDB e o PFL estão contra as reformas", afirmou. Os três votos pela independência foram dados por peemedebistas que têm o PT como antagonista em seus Estados. É o caso do deputado Cezar Schirmer (RS), do ex-senador Nabor Júnior (AC) e de Dorani Sampaio (PE). Nesses Estados, o PT é o principal adversário do PMDB para as eleições municipais do próximo ano. Com a integração do PMDB à base governista, os líderes do partido na Câmara, Eunício Oliveira (CE) e no Senado, Renan Calheiros (AL), participarão das reuniões de coordenação políticas realizadas semanalmente com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. A intenção de Eunício é trabalhar para unificar a bancada, garantindo os 68 votos do PMDB ao governo.

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