Apesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sexta

PF reafirma que delegado e auxiliar tiveram pedido de afastamento aceito; presidente cobrou volta à Satiagraha

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 20h36

O apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi suficiente para trazer o delegado Protógenes Queiroz  ao comando do inquérito da Operação Satiagraha. Em nota divulgada no início da noite, pouco depois da entrevista de Lula, a Polícia Federal reafirmou que tanto Protógenes como sua auxiliar, delegada Karina Marakemi Souza, tiveram seus pedidos de afastamento aceitos. Veja também:Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  PF anuncia Ricardo Saad como substituto de Protógenes Lula cobra volta do delegado Protógenes ao caso DantasDantas deixa sede da PF após quase três horas de depoimentoProcurador pede volta de delegado da PF ao caso DantasDaniel Dantas chega à PF em São Paulo para prestar depoimento Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas Para os seus lugares, foram designados os delegados Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros (Delefin) da Superintendência da PF em São Paulo, e Erika Mialik Marena. Mas para não incorrer em insubordinação, a PF, após um dia de intensas discussões internas, encontrou uma fórmula intermediária. A saída para a confusão, com a qual Protógenes concordou, é que ele continua no caso até sexta-feira e produz um relatório que encerre sua participação. A partir de segunda-feira, porém, ele se desliga do inquérito "espontaneamente" para fazer o curso superior de polícia no qual está matriculado desde março e não volta a atuar no caso. Em meio à crise no comando da operação, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tirou férias e viajou para longe do problema. O diretor interino, delegado Romero Menezes, chegou a convocar entrevista para explicar as mudanças e os próximos passos do inquérito. Mas depois da contraordem passada por Lula ao ministro da Justiça, Tarso Genro, Menezes cancelou a entrevista e mandou divulgar nota detalhando a saída institucional para o imbroglio. A nota explica que na última segunda-feira, uma reunião na Superintendência da PF em São Paulo, entre Protógenes e emissários da Direção-Geral, de Brasília, ficou acertado afastamento do delegado, com a desculpa de que teria de participar da parte presencial do curso. Na verdade, era uma punição. A reunião foi tensa e os dirigentes da corporação desfiaram uma série de "deslizes" que, segundo eles, teriam tornado o inquérito um fracasso político-institucional, apesar de reconhecerem méritos técnicos. Protógenes ainda contrargumentou. Concordou em sair de foco da crise e da mídia, mas sem se desligar do comando do caso e propôs "continuar instruindo (o inquérito) aos sábados e domingos", enquanto participava do curso durante os dias úteis da semana. "A sugestão não foi acatada pelos diretores, já que traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos junto à investigação, comprometendo também a celeridade da apuração", diz a nota da PF. A autorização, ainda conforme a direção da PF, "quebraria a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial". Diante dos argumentos dos emissários de Brasília, continua a nota, o delegado Queiroz comprometeu-se a relatar o inquérito até o dia 18 de julho (sexta-feira). Conforme o relato, o delegado alegou que sua participação no caso ficaria "praticamente concluída", antes dos resultados das investigações realizadas até agora. Reunião na PF A explicação da nota da PF carece de base porque a parte mais densa do inquérito começa agora com a análise dos HDs, disquetes, CDs e a pilha de documentos apreendidos pela operação. Os resultados das perícias, que devem sair de 30 a 60 dias, serão cotejados com os depoimentos dos presos e demais indiciados por envolvimento com a quadrilha, acusada de crimes financeiros, evasão de divisas, corrupção e lavagem de dinheiro. Participaram da reunião com Protógenes em São Paulo o diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Ciciliati Troncon Filho, o chefe da Divisão de Combate aos Crimes Financeiros, Paulo de Tarso Teixeira, e o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra. Protógenes manifestou o desejo de, uma vez entregue seu relatório, não mais atuar junto aos outros dois inquéritos abertos em torno da Satiagraha. Ao final da reunião, Troncon foi informado de que a delegada Karina também pedira desligamento da equipe que atuou na operação, como encarregada de um dos inquéritos desmembrados. Ela alegou razões pessoais. Os delegados Ricardo Saadi e Érika Marena foram desde logo escolhidos para ocuparem os postos e devem ser formalizados até sexta-feira, quando Protógenes entregar o relatório de sua participação. Um terceiro delegado, Carlos Eduardo Pelegrine, também pediu afastamento, mas não fazia parte permanente da equipe e estava cedido apenas na parte final da operação, para auxiliar na fase ostensiva.

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