Apesar de ver 'exageros', Dilma defende imprensa livre

Após se reunir com representantes do Conselho Nacional de Turismo no final da tarde de hoje, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, adiantou que, se for eleita, preservará a pasta do Turismo. Na mesma oportunidade, ela reafirmou seu compromisso com a liberdade de imprensa, apesar de ver "exageros da mídia" em alguns momentos. Ela seguiu viagem a Curitiba (PR), onde participará ainda hoje de um comício ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

22 de setembro de 2010 | 18h39

A candidata esquivou-se de responder objetivamente sobre eventual apoio ao ato público programado para amanhã em São Paulo, em que organizações não-governamentais (ONGs), centrais sindicais e partidos políticos, inclusive o PT, vão protestar contra o suposto "golpe midiático" contra a sua candidatura. Segundo os organizadores do evento, os grandes veículos de comunicação estariam armando um "golpe" para impedir a eleição dela no primeiro turno.

Contudo, Dilma afirmou que enxerga "exageros da mídia" em alguns momentos e frisou que "não aceitará calada" quando achar que houve erros. "Não vou falar em golpe midiático, mas tem hora que exageram. A mim não incomodam as críticas, convivo perfeitamente com elas. Mas não vou aceitar calada que escrevam coisas erradas a meu respeito", disse.

Ela foi enfática ao reafirmar que é a favor da liberdade de imprensa. "Eu prefiro as múltiplas vozes das críticas ao silêncio da ditadura", afirmou. No fim de agosto, Dilma, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) assinaram a Declaração de Chaputelpec, uma carta de intenções em que renovam o compromisso com a liberdade de imprensa e de expressão. "O único controle social que eu admito é o controle remoto", concluiu.

Nomeação de parentes

Dilma também comentou a revelação de que sua sucessora na Casa Civil - e já exonerada -, Erenice Guerra, nomeou para um cargo na pasta Paula de Matos, filha do presidente dos Correios, David José de Matos. Ele foi indicado para o posto por Erenice. Hoje o Diário Oficial da União trouxe a demissão de Paula. "Não sou a favor da indicação de parentes nem por critérios de amizade", afirmou.

A petista refutou a alegação de que tenha nomeado Erenice porque ela seria sua amiga. E embora ontem ela tenha frisado que a indicação de Erenice para a Casa Civil foi uma "escolha técnica" do presidente Lula, hoje ela afirmou que a indicou por conta própria e por critérios técnicos.

"Eu a conheci como uma competente advogada do setor elétrico, compunha o grupo de transição do governo na área de energia elétrica e era militante histórica do PT no Distrito Federal", justificou.

Em seguida, Dilma voltou a pedir que não façam julgamento antecipado de Erenice. "Não acho prudente mexer com a honra das pessoas antes de se comprovar a culpa. A condenação sem provas é um ônus que a pessoa carrega para toda a vida, mesmo que depois se prove a sua inocência", ponderou.

Dilma lembrou que foi bombardeada durante três meses porque seu adversário a responsabilizou pela violação de sigilos fiscais na delegacia da Receita Federal em Mauá (SP). E, no entanto, uma das funcionárias ouvidas pela Polícia Federal (PF) confessou que trabalhava numa espécie de "balcão de negócios" de violação de sigilos. "E agora, quem paga meu prejuízo político?", questionou.

Área estratégica

Na mesma entrevista, Dilma afirmou que considera o turismo uma área estratégica porque emprega milhões de pessoas, não causa impacto ao meio ambiente e agrega valor, como o segmento de prestação de serviços. Ela afirmou que o setor cresceu no governo Lula, mas ainda opera "aquém de suas possibilidades".

Ao final, ela relacionou os eventos de grande porte que o Brasil sediará nos próximos seis anos: os Jogos Olímpicos Militares em 2011, o Rio Mais 20 em 2012, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo de futebol em 2014, os 400 anos da cidade do Rio de Janeiro em 2015 e os Jogos Olímpicos mundiais em 2016.

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