Apesar de resistência, Renan defende novas regras para o BC

Para senador, debate da proposta que fixa mandatos para direção do Banco Central será 'prioritário' na Casa; matéria desagrada aliados

Atualizado às 12h10, Ricardo Brito e Ricardo Della Coletta

29 de outubro de 2013 | 11h55

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou na manhã desta terça-feira, 29, que pretende colocar o seu "protagonismo" na discussão do projeto que fixa mandato para diretores e o presidente do Banco Central (BC). A intenção de retomar o debate supreendeu, e desagradou, os aliados do governo no Congresso. Para o senador, o debate é "prioritário".

Em entrevista concedida nesta manhã, Renan defendeu a ideia de amadurecer o substitutivo do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) para ser votado até o final do ano pela Casa. O senador entende que a medida garante mais autonomia ao Banco Central. "Eu vou colocar o protagonismo do presidente do Senado para que nós possamos amadurecer essa matéria e votá-la", disse. "Você precisa colocar esses assuntos que têm a ver com a sociedade, com o dia a dia das pessoas, para que eles possam dessa forma, colocados, serem entendidos como prioritários. Esse assunto será prioritário", completou.

O senador afirmou que a proposta foi defendida por ele na sua campanha a presidente do Senado e no seu discurso de posse, em fevereiro. Segundo ele, há 117 dispositivos da Constituição para serem regulamentados, dentre eles o da autonomia do banco.

Para senadores do PT e do PMDB, o debate é fora de hora. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já antecipou que não vota a matéria neste ano, caso ela passe pelo Senado.O vice-presidente da República, Michel Temer, disse que pretende conversar com Renan. "É um assunto delicado, que precisa ser muito bem examinado. O Banco Central está agindo corretamente e competentemente", afirmou.

Renan minimizou a reação e afirmou que "quase todas as matérias" em discussão no Parlamento têm resistências. "Não são todas as matérias que não têm resistências, quase todas as matérias, elas têm resistência, venham de onde vierem. Ora é do governo, ora é da mídia, ora é do mercado, ora é do poder econômico. É sempre assim", afirmou. Para ele, cabe ao Legislativo aprimorar "tudo o que aqui está tramitando para que nós tenhamos no futuro, num espaço de tempo, um Brasil melhor".

O presidente do Senado disse ainda que atualmente já há uma "certa independência" do BC. Contudo, ele destacou que Bancos Centrais de todo o mundo fazem controle de metas de inflação, com autonomia e mandato para seus diretores. "Quem sabe se não é o caso de termos isso aqui no Brasil?", questionou.

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