Apesar de líder, Alckmin pede 'humildade' em campanha

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse hoje, em Franca (SP), que continuará a sua campanha com "humildade", mesmo com a manutenção da liderança nas intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha. "Continuamos a campanha com humildade, trabalho e confiança, e o povo é quem decide", discursou o tucano, antes da caminhada de cerca de uma hora pelo centro da cidade da região de Ribeirão Preto.

BRÁS HENRIQUE, Agência Estado

24 de setembro de 2010 | 15h25

Apesar das indicações de que vencerá o pleito ainda no primeiro turno, ele mantém sua postura de não cantar a vitória antes do tempo. E disse ainda acreditar que, na esfera nacional, a disputa chegará ao segundo turno, com o seu colega de legenda, José Serra (PSDB), enfrentando a adversária Dilma Rousseff (PT).

Depois de Franca, Alckmin seguiria para Ribeirão Preto e se juntaria a Serra em São Carlos e Araraquara. Na reta final, o tucano pretende fortalecer o contato direto com o eleitor. "Estamos fazendo um trabalho mais intensivo, falando com a mídia da região, mas nada de especial, só ampliando o trabalho já feito", contou o ex-governador.

A última pesquisa do Datafolha indicou que o tucano mantém 51% das intenções de voto, contra 23% do principal adversário, Aloizio Mercadante (PT). Mas ele rechaça falar em vitória antecipada. "Existem intenções de voto, mas voto mesmo só no dia 3 (de outubro). O (Leonel) Brizola dizia que se pesquisa ganhasse eleição, não precisava ter eleição", destacou.

Eleição presidencial

Questionado sobre a eleição federal, Alckmin mostrou confiança numa disputa em segundo turno, traçando uma comparação entre o momento atual e o que viveu em 2006, quando disputou a presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela disputa, tudo indicava que o petista seria reeleito no primeiro turno, mas na reta final o tucano levou a eleição para o segundo turno.

"Sinto que o quadro nacional começa a mudar", afirmou. "Em São Paulo, o Serra já está praticamente em primeiro lugar, crescendo, a Marina (Silva, do PV), crescendo", disse. "Me lembro da minha eleição para presidente, em 2006, quando havia diferença e chegamos ao segundo turno", emendou Alckmin. "Então, acho que é possível, sim, estou trabalhando para isso, ajudando, para ter o segundo turno na eleição federal."

Para que esse cenário ocorra, Alckmin acha importante também o crescimento de Marina Silva na disputa, segundo ele, tirando vantagem de Dilma e evitando uma decisão já no dia 3 de outubro. Considera também que Serra está fazendo a campanha correta. "Ele está fazendo o que tem que fazer, falar a verdade, percorrer o Brasil, conversar com as pessoas, ouvir o povo. Acho que está fazendo trabalho bom", afirmou Alckmin.

Denúncias

Para o candidato, as atuais denúncias envolvendo a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, as quebras de sigilo fiscal (entre elas a de Verônica Serra, filha do presidenciável), entre outras, podem ajudar a mudar o quadro nacional. "É chocante o que temos visto no Brasil", disse Alckmin.

Sobre o caso envolvendo Erenice Guerra, Alckmin também não deixou de criticar. "A demissão (de Erenice) mostra também uma mistura público-privada extremamente preocupante. Nós precisamos avançar no conceito de separação do Estado e da iniciativa privada, de não exigir carteirinha de filiação, de não ter loteamento em cargos públicos, porque sempre que acontece isso, de um lado se perde a eficiência, piora, e de outro lado abre (espaço) para o desvio."

Pedágios

Antes da caminhada pelo centro de Franca, Alckmin participou da sabatina do Grupo Corrêa Neves (GCN), dono do jornal Comércio da Franca e da Rádio Difusora (AM). Durante uma hora e meia, falou sobre seus projetos de governo. Sobre os pedágios, disse que poderá rever mesmo os 18 contratos de rodovias sob concessão, mas destacou que o modelo paulista usado foi bem-sucedido.

Segundo o tucano, houve queda do número de acidentes nas estradas e, de acordo com ele, o Estado não precisou investir. "Vamos analisar os 18 contratos para ver como está o equilíbrio econômico e financeiro", avisou Alckmin. Seu principal rival nessas eleições, o petista Aloizio Mercadante, ataca as gestões do PSDB, principalmente por causa do preço dos pedágios.

Ficha Limpa

Alckmin também disse ser favorável à reforma política, especialmente com o voto distrital, que evitaria que "celebridades" conseguissem votos pelo interior. "Nos Estados Unidos, a eleição é distrital, com mandatos por dois anos, e ninguém reclama, e a campanha fica barata", comentou o tucano, respondendo pergunta a respeito da candidatura do palhaço Tiririca.

Sobre o Ficha Limpa, em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), se valerá ou não para a disputa deste ano, Alckmin foi direto e rápido: "Acho que o Supremo deveria aprovar para essa eleição."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.