Apesar de insistências, Denise Abreu não apresentou provas

Governo, que também tinha preparado documentos para rebater ex-diretora da Anac, não apresentou nada

FABIO GRANER E ISABEL SOBRAL, Agencia Estado

11 de junho de 2008 | 20h04

Apesar da insistência de alguns senadores para que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu apresentasse os documentos que poderiam comprovar a ocorrência de pressão da Casa Civil para a venda da Varig, isso não aconteceu. A base do governo, que também tinha preparado uma coleção de documentos para rebater as afirmações de Denise, não apresentou nada.   Veja também: Dilma nunca deu ordens expressas, mas fez pressão, diz Denise Para Virgílio, venda da Varig pode levar a nova CPI Senadores batem boca sobre 'perdão' da dívida da Varig Denise diz que dossiê pretendia pressioná-la psicologicamente Denise destaca rapidez incomum na certificação da nova Varig 'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz Denise Turbulências da Varig    Denise Abreu enfatizou durante seu depoimento apenas que a pressão se deu nas reuniões que a Casa Civil promovia para acompanhar a atuação da Anac no processo de venda da Varig.   Já os documentos organizados pelo governo tinham o objetivo de mostrar que eram excessivas as exigências impostas por Denise Abreu na Anac para aprovar a regularidade societária da VarigLog, então interessada em comprar a Varig e assessorada pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.   A líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), leu o trecho de um parecer do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro no qual o promotor Leonardo Marques menciona que algumas das demandas feitas pela Agência seriam "absurdas" e estariam causando dificuldades para conclusão do processo de venda. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) fez perguntas com base no mesmo documento.   No parecer, assinado em 29 de maio de 2007, o promotor opina a favor dos compradores da Varig em um pedido encaminhado à 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro sobre o a exploração de rotas internacionais até ali ainda não referendadas pela Agência e afirma: "O Ministério Público não consegue entender o motivo pelo qual a Anac sempre adota uma postura contrária aos interesses da recuperação".   O senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou cópia do contrato formado pela VarigLog ao comprar a Varig, no qual a empresa, somados valores em dinheiro e investimentos na nova empresa, a operação somou R$ 277 milhões e não R$ 24 milhões. A diferença entre o valor pago no leilão e o desembolsado pela Gol (R$ 320 milhões) é muito menor", disse Jucá. Após comprar a Varig, sabe-se que a Gol também fez novos investimentos.   Jucá também usou um despacho do juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pelo processo de recuperação da Varig, para reduzir a importância da polêmica em torno da mudança de posição da Procuradoria da Fazenda acional (PGFN) no caso. Contrariando posição anterior, a PGFN, pouco antes do leilão que permitiu a compra da Varig pela VarigLog, emitiu um parecer informando que não haveria sucessão tributária no caso e liberou os novos compradores da Varig da responsabilidade pelo pagamento das dívidas tributárias da empresa, calculados em R$ 2 bilhões em 2006. "O juiz Ayoub já havia afastado a sucessão tributária em 13 de maio, meses antes do parecer da PGFN", declarou Jucá.   Até uma carta enviada pelo ex-diretor da Anac, Josef Barat a um jornal foi separada como munição. Nela, Barat afirma nunca ter sofrido pressão da Casa Civil ou de outros órgãos do governo em decisões relacionadas ao caso. A ex-diretora da Anac afirmou também, em resposta aos senadores da Comissão de Infra-Estrutura que a questionaram por último, que nenhum diretor da agência trabalhava em favor de empresas privadas. Ela declarou que administrar a crise do setor aéreo é muito diferente de regular um mercado estável, mas enfatizou que, se foram cometidos erros durante a gestão da qual fez parte, foram "infinitamente menores" do que saiu publicado na mídia.

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