Apesar de ataques, Serra espera boa relação com Lula

O secretário chefe da Casa-Civil do Estado de São Paulo, Aloísio Nunes Ferreira, disse nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, que o novo governador do Estado José Serra espera manter "as melhores relações possíveis no campo institucional" com o presidente Lula, apesar de, já na cerimônia de posse, o tucano ter deixado clara a condição de opositor à administração petista."O governador Serra disse com todas as letras que não é e nunca será adepto do quanto pior melhor. Evidentemente, sendo membro de uma das principais lideranças do PSDB, ele estará na oposição", minimizou o secretário.Ao ser indagado, entretanto, se tal postura do governador, logo na cerimônia de posse, não estabeleceria um atrito político imediato com a administração Federal, Ferreira ironizou: "acho que o presidente Lula sabe que o governador Serra é membro do PSDB".Dois discursos, dois ataquesNo primeiro discurso do dia, no plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo, Serra foi crítico, destacou "crise de valores", abordou temas atuais e contou com frases fortes e recheadas de citações históricas e até poéticas."Vivemos, no Brasil, um período de crise de valores. Não se trata de uma indisposição passageira ou de uma simples pane. Trata-se de uma crise mesmo", disse Serra, acrescentando que a crise tem caráter moral e prospera em uma economia onde faltam empregos e sobra estagnação. "Crise política que se alimenta da teimosa incoerência entre os discursos e as ações na vida pública."Em seu segundo discurso, no Palácio dos Bandeirantes, o ataque a Lula foi ainda mais enfático. Serra avançou em questões nacionais e criticou o baixo crescimento econômico do País durante o primeiro mandato de Lula e avisou que será oposição ao presidente, embora o Estado vá apoiar projetos que sejam de interesse nacional. Ele afirmou que fará oposição toda vez que o espírito das leis for atacado, bem como quando houver tentativa de atacar os fundamentos do Estado e que tentarem agir contra o interesse público."Não fomos, não somos, e nem seremos adeptos do quanto pior, melhor. Seremos oposição no plano federal, justamente porque não somos iguais", apontou. Ao atacar a administração Lula, Serra argumentou que há 25 anos o País vive uma "semi-estagnação"."Antes de ontem, ela poderia ser explicada pela superinflação devastadora; ontem, pela terapia anti-inflacionária e conjunturas externas turbulentas; hoje, quando o Brasil é praticamente o último da América Latina e dos emergentes, e o céu da economia internacional é de brigadeiro de seis estrelas, os resultados ruins não são colhidos da árvore da vida, da fatalidade, mas da fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos", acusou. "Não tenham dúvidas: a fatalidade, no que diz respeito aos povos, quase sempre conta a história de um erro, quando não da covardia", complementou.

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