Apesar da crise, PT registra aumento no número de filiados

Crescimento de 81% nasadesões em comparação a 2014 é visto no partido como uma 'reação' dabase social da sigla

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2015 | 03h38

Mesmo em meio à maior crise de seus 35 anos existência, assolado por denúncias de corrupção e desvios na Petrobrás investigadas pela Operação Lava Jato, manifestações de rua e panelaços contra o partido e rejeição ao governo da presidente Dilma Rousseff, o PT registrou nos primeiros cinco meses deste ano um aumento considerável do número de filiados.

De acordo com dados do partido, foram 16.640 filiações até sexta-feira passada. O número é 81% maior do que as 9.187 adesões contabilizadas no mesmo período do ano passado.

Para a direção do partido, o fenômeno pode ser visto como uma reação às investidas de grupos e movimentos "da direita" contra o partido nas ruas. A direção petista alega que o motivo principal não é as eleições do ano que vem. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que nas últimas duas décadas as filiações partidárias alcançam um número em média dez vezes maior nos anos anteriores às eleições municipais.

"Setores da base social do PT saíram em defesa do partido. Para eles, a forma de reagir é a filiação", diz o deputado estadual José Américo Dias, secretário nacional de Comunicação do PT.

Em abril, mês em que o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto foi preso durante mais uma etapa da Operação Lava Jato sob suspeita de arrecadar dinheiro de propina para o partido e que 97 mil trabalhadores perderam seus empregos no Brasil, o PT ganhou 10.882 filiados, número 2.734% maior do que as 384 filiações registradas em abril do ano passado.

Para José Américo, outro fator que pode ter provocado o "fenômeno da filiação" é uma maior organização do partido nas redes sociais.

Preferência. O aumento do número de filiados registrado no período contrasta com a queda brusca da preferência do eleitorado pelo PT. O partido da presidente Dilma Rousseff continua sendo o mais querido do País, mas o porcentual de eleitores que dizem preferir o PT às demais legendas caiu de 22% em dezembro do ano passado para 12% em fevereiro deste ano, segundo o instituto Datafolha. Esse índice é o menor nível já registrado pelo instituto. Em 2005, no auge do mensalão, que atingiu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o porcentual era de 15%.

O partido conta, atualmente, com 1.740.110 filiados e está organizado em 84% dos municípios brasileiros, com 3.206 diretórios municipais e 1.494 comissões provisórias. Em 2014, estava presente em 56% das cidades do Brasil.

O número de dirigentes municipais chegou a 51.549. Além disso, cerca de 149 mil novos filiados aguardam na fila para fazer os cursos de formação política obrigatórios para a formalização das adesões ao partido. / R.G.

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