Apenas 5 foram presos nos maiores conflitos agrários do País

Em debate realizado na quarta-feira, 18, pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o ouvidor agrário nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, desembargador Gercindo da Silva Filho, fez um balanço dos casos mais polêmicos de mortes decorrentes de conflitos agrários. Pelo levantamento, cinco acusados foram presos, 158 absolvidos, oito aguardam julgamento em liberdade e três estão foragidos. No encontro, entre autoridades e lideranças de movimentos sociais, o subprocurador-Geral da República, Wagner Gonçalves, explicou que a Constituição brasileira permite que o acusado já condenado só seja preso ?depois do trânsito em julgado?. Segundo ele, em alguns casos, o crime pode prescrever sem que o suspeito termine de ser julgado. Ele explica que é o caso do coronel Mário Colares Pantoja, acusado de ter comandado o assassinato da missionária Dorothy Stang. Confira o levantamento apresentado pelo ouvidor agrário: Caso Dorothy A missionária norte-americana trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o Projeto de Desenvolvimento Sustentado em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Foi morta no dia 12 de fevereiro de 2005, com seis tiros a queima-roupa. Quatro acusados estão presos: Vitalmiro Bastos de Moura, Anair (18 anos de pena), Rayfran das Neves Sales (27 anos) e Clodoaldo Batista (25 anos). Um aguarda julgamento em liberdade: Regivaldo Pereira Galvão. Massacre de Corumbiara Ocorrido no dia 9 de setembro de 1995, em Rondônia, quando onze trabalhadores e dois policiais foram mortos, 53 trabalhadores e onze policiais feridos e 17 trabalhadores mutilados. Comandante da operação e dois policiais estão presos: capitão Vitório Regis (9 anos de pena) e os soldados Daniel da Silva (15 anos) e Airton Ramos (18 anos). Dois trabalhadores condenados estão foragidos: Cícero e Claudemir Gilbeto. Massacre de Eldorado dos Carajás Ocorrido no dia 17 de março de 1996, quando 19 trabalhadores foram mortos e 69 trabalhadores e 12 policiais feridos. Os 153 policiais que participaram da operação e quatro trabalhadores foram absolvidos. Dois comandantes aguardam recurso em liberdade: coronel Mário Colares Pantoja e major Pereira. Caso Joelson Jaelson Melquíades dos Santos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi executado com cinco tiros de revólver, no dia 29 de novembro de 2005, no assentamento Timbozinho, no município de Atalaia, no Estado de Alagoas. Um foragido. Heleno Pedro da Silva é procurado, não apenas no Brasil, mas também pela Polícia Internacional (Interpol) Caso José Dutra da Silva Liderança local dos trabalhadores rurais no Pará, foi assassinado a mando de fazendeiros no dia 21 de novembro de 2000. Um suspeito foi absolvido, um suspeito foi preso e um aguarda julgamento em liberdade: executor Wellington de Jesus da Silva (pena de 29 anos). Caso Anailton Martins Líder do Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem-Terra (MLST) em Ataiba, foi assassinado no dia 27 de outubro de 2005. Três acusados aguardam julgamento em liberdade: José de Mello, Leonel dos Santos e João Marcos da Silva. Um está foragido: Josivan da Silva.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 09h49

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