Apartamentos de africanos são queimados na UnB

Três apartamentos onde moram dez estudantes africanos no campus da Universidade de Brasília (UnB) tiveram as portas queimadas na madrugada desta quarta-feira. Os extintores de incêndio do andar também haviam sido esvaziados, com exceção de um, usado para apagar o fogo. Ninguém ficou ferido.De acordo com o reitor da universidade, Timothy Mulholland, a investigação preliminar mostra que não houve arrombamento, portanto o incêndio deve ter sido provocado por um morador do alojamento.O crime acontece um dia depois da entrevista da ministra da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, que disse que não considera "racismo quando um negro se insurge contra um branco".Polêmica As declarações da ministra provocaram um grande debate, com a maioria das manifestações criticando duramente a ministra. Na opinião do reitor da UNB, o incêndio "não tem nenhuma relação" com a entrevista. "Isso seria uma ilação irresponsável", afirmou à BBC Brasil."Este é um conflito entre alguns grupos de estudantes, que vem se desenrolando há alguns meses", afirmou Mulholland, que ainda não tem informações sobre a autoria do ataque.O caso está sendo investigado pela Polícia Federal, responsável pelo policiamento do campus. A universidade também abriu um inquérito administrativo.ReclamaçõesOs estudantes que moravam nos apartamentos disseram à rádio CBN que já haviam sofrido ameaças e sido vítimas de discriminação racial em outras ocasiões. Eles também afirmaram que já haviam registrado reclamações na delegacia de polícia e junto à reitoria, sem que providências fossem tomadas. O reitor disse que já houve punição para estudantes que se envolveram em brigas. O campus já foi pichado com a expressão "Morte aos estrangeiros". Os estudantes africanos chegam à UnB por meio de convênios entre os governos, e são frequentemente vistos pelos alunos brasileiros, que entraram na universidade pelo vestibular, como privilegiados.Oitenta africanos estudam na UnB, e 20 deles moram no alojamento incendiado. Os dez estudantes envolvidos estão sendo remanejados para outros apartamentos. Nivaldo Gomes, de Guiné-Bissau, estudante de Sociologia, disse que já havia sido vítima de preconceito em outras ocasiões. "Reclamamos, mas nada foi feito", disse.Maplia Queta, do mesmo país e também estudante de Sociologia, disse que pensou que fosse morrer, quando viu a fumaça entrando pela porta. De acordo com a UnB, a entrada para a moradia dos estudantes é controlada 24 horas por um porteiro, que registra o nome de todos os visitantes que entram no prédio.

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