Aparecido isenta Dilma e diz que envio de dados foi 'engano'

Ex-servidor da Casa Civil diz que nunca falou com ministra e que troca de e-mails não era para constranger

20 de maio de 2008 | 15h21

O ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes disse nesta terça-feira, 20, à CPI dos Cartões Corporativos que enviou por engano a planilha de Excel com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao assessor do tucano Álvaro Dias André Fernandes. "Minha reação foi de espanto, não sabia da potencialidade midiática do documento, não tenho memória nem consciência de que anexei o documento e envie a André. Minha intenção era anexar e enviar apenas arquivo de word, se anexei excel, não fiz de maneira deliberada. Foi por engano, foi falha humana, não admito indução", disse.   Veja também: 'No fundo, eu fui o traído na história', diz assessor tucano à CPI À CPI, André Fernandes diz que Erenice elaborou dossiê 'Amizade quente' entre vazadores do dossiê vira alvo na CPI Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição   O ex-servidor da Casa Civil também nega que teria repassado qualquer informação a esse respeito à imprensa e diz que nunca falou sobre esse assunto com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Não tive nenhuma participação neste banco de dados. Não digitei nenhum caracter nestas tais planilhas. Nunca, nunca mesmo, conversei sobre isso com a ministra Dilma", afirmou. Em outro momento do depoimento, ele voltou a isentar a ministra de participação na elaboração do documento com gastos de FHC.   Aparecido diz ainda que a troca de e-mails com o assessor tucano não tinha por objetivo constranger a oposição na comissão. "Se tivesse intenção de repassar isso (o dossiê), faria por CD, pendrive ou impresso. Na sequüência de e-mails trocados com ele, não tem menção a isso. São textos leves, não para constranger a oposição", afirmou. Assim como Fernandes, que o antecedeu no depoimento à CPI, Aparecido é apontado como responsável pelo vazamento das informações que resultaram no dossiê sobre gastos de FHC.   Sobre Erenice Guerra, braço direito de Dilma e apontada como responsável pelo levantamento dos dados, Aparecido diz ter uma relação "funcional, normal". Também sobre José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, o ex-servidor disse que tinha a mesma relação de todos os petistas. "Não falo com Dirceu há algum tempo. Estive com ele no aniversario dele."   Antes de Aparecido, Fernandes disse que se sentiu traído por ele. "No fundo, no fundo, eu me considero o traído na história. Eu fui levado politicamente para um furacão que não era meu", disse. Os parlamentares presentes na CPI decidiram atacar um mesmo alvo: a amizade entre os dois (Aparecido e o assessor tucano). Fernandes também afirmou que Aparecido teria dito a ele que Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, foi a responsável pela elaboração do chamado dossiê FHC.   Texto ampliado às 16h39

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