"Aparecem" R$ 40 milhões para salvar o Museu Nacional

Os ministros da Educação, Cristovam Buarque, e da Cultura, Gilberto Gil, assinaram hoje um convênio para ampliação e restauração do Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do país, criada em 1818 por D. João VI na Quinta da Boa Vista. Embora tenham ressaltado a importância de medidas emergenciais para a recuperação do prédio, cuja estrutura precária põe em risco o acervo de 12 milhões de peças, eles não souberam informar a fonte dos R$ 40 milhões necessários à obra e à construção de anexos. ?Quando há um terremoto, ninguém pergunta de onde vem o recurso para reconstruir a cidade, o dinheiro aparece?, argumentou Cristovam, numa postura diferente da adotada recentemente, quando reclamou da escassez de verbas federais para a educação. A julgar pelas declarações de Gil, a verba, seja qual for a sua origem, não será repassada de forma imediata. ?Vamos, ao longo desses anos, arrumar os R$ 40 milhões?, afirmou, citando a possibilidade do projeto não ser concluído no governo Lula. A idéia é que a sede do museu, o antigo Paço São Cristóvão Imperial da Quinta da Boa Vista, situado na zona norte, seja usada apenas para as exposições. As atividades de ensino e pesquisa seriam realocadas para anexos, numa área de quase 15 mil metros quadrados. Apesar da indefinição sobre prazos e fonte de recursos, algo já está certo: a parceria com a iniciativa privada. A Petrobras, por exemplo, investe no museu desde 1996. ?Estamos abertos para o setor privado?, anunciou Cristovam, acrescentando que o convite é extensivo ao Estado e à Prefeitura. Ele adiantou que vai procurar o prefeito Cesar Maia e sugerir que os recursos que seriam aplicados na construção do Guggenheim sejam destinados ao Museu Nacional. ?Vou propor a ele que, quando atletas e turistas vierem aqui em 2007 (por ocasião do Pan-Americano), tenham um grande museu para visitar?, disse. Após a assinatura do convênio, os convidados visitaram uma pequena exposição com 30 peças do Museu Nacional. Algumas nunca haviam sido expostas fora da instituição, como um cálice da idade média trazido ao Brasil por D. João VI.

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