Aparece outro livro com denúncias contra Jáder

A Polícia Federal está trabalhando com a hipótese de que haja mais pessoas envolvidas na tentativa de extorsão ao senador Jader Barbalho, candidato do PMDB à Presidência do Senado. Na noite da sexta-feira passada, a PF prendeu em flagrante o gráfico Marcos Vieira Barreto que pedia R$ 100.000,00 para destruir os originais de um livro que traria denúncias contra o senador. Segundo a assessoria de Jader, trata-se do livro "Anatomia de um Corrupto - Eu Posso Falar", de autoria do jornalista Gualter Loyola. Segundo fontes da PF, Barreto não tem ficha criminal e ao ser preso disse que "queria ganhar uma graninha com esta história toda", referindo-se à disputa pela presidência do Senado. A polícia abriu ontem um inquérito por tentativa de extorsão e não descarta a possibilidade de Barreto estar encobrindo outras pessoas. O nome da gráfica onde Barreto trabalha está sendo mantido em sigilo, e de acordo com essa fonte da PF o proprietário não sabia da chantagem. A tentativa de extorsão, de acordo com a assessoria do senador Jader Barbalho, teve início na manhã do dia 30 de janeiro. Uma pessoa que se identificava como "Lúcio" ligou para o telefone celular do assessor de imprensa do senador, Luiz Francisco Terra Júnior, informando que possuía documentos que continham denúncias contra o candidato do PMDB, que seriam publicadas em um livro nos próximos dias. Na petição feita à Polícia Federal, Jader conta que, identificando-se como revisor da publicação, "Lúcio" queria R$ 100.000,00 para contaminar com um vírus o computador em que estava a matriz original do livro, o que inviabilizaria a edição. Seriam entregues a Jader, além dos originais, os disquetes que conteriam as matrizes. A tentativa de extorsão foi comunicada à PF e os telefones do assessor e do senador foram grampeados para facilitar as investigações. O Jader pediu também a apreensão do material em poder do chantagista. Na noite de sexta-feira, Terra Junior marcou um encontro com "Lúcio" na rodoviária de Brasília e foi acompanhado de um delegado da PF, que apresentou-se como seu advogado. O objetivo era pagar R$ 1.000,00 pelas primeiras páginas do original, já que o restante seria entregue mais tarde. Caracterizado o flagrante, Barreto foi preso no local por uma equipe da PF sem esboçar qualquer reação. O livro de Gualter Loyola tem 150 páginas e será distribuída pelo próprio autor. O jornalista, que já trabalhou no jornal Diário do Pará, de propriedade do peemedebista, não quis revelar o nome da editora. A assessoria de imprensa de Jader atribuiu ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), a idéia do livro. ACM, que tenta derrotar Jader na eleição para o comando da Casa, negou que tenha patrocinado a produção da obra.

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