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‘Apareça, Carluxo! Fique ao lado do seu pai, em Brasília’, pede ministro

Fábio Faria sai em defesa de filho do presidente que, para senadores da CPI, integra ‘gabinete paralelo’ de assessoramento de Bolsonaro na pandemia

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 18h30

BRASÍLIA – O governo decidiu contra-atacar na CPI da Covid. Após senadores criticarem o que classificaram como “gabinete paralelo” para orientar o presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, pediu a ajuda do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

“Apareça, Carluxo! Não fique no Rio, não. Fique ao lado do seu pai, em Brasília”, aconselhou ele, nesta quinta-feira, 20, referindo-se ao filho “02” de Bolsonaro pelo apelido.

Pouco antes, ao depor à CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello havia sido questionado por senadores sobre a presença de Carlos em reuniões de governo para definir estratégias de compra de vacinas contra a covid. A cúpula da CPI está convencida de que um grupo integrado por Carlos, o ex-secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten, o assessor de Assuntos Internacionais, Filipe Martins, e o empresário Carlos Wizard assessoravam Bolsonaro sobre a pandemia, sem ouvir recomendações científicas.

“Sabe o que a gente está vendo na CPI? Que o filho não pode ficar perto do pai. Se tiver uma reunião, um almoço de Bolsonaro e algum filho estiver perto é crime”, protestou Fábio Faria, que acompanhou Bolsonaro na visita ao Piauí para entrega de uma ponte sobre o Rio Parnaíba.

Foi nessa cerimônia que o presidente, hoje sem partido, disse estar “namorando” o Progressistas, a principal legenda do Centrão. Desde que saiu do PSL, em novembro de 2019, Bolsonaro já manteve negociações com nove siglas. Até agora, no entanto, as tratativas para filiação não foram adiante. Defensor de Carlos, Fábio Faria também pode trocar o PSD pelo Progressistas.

“Eu quero saber se o senador Renan não conversa com o filho dele, lá em Alagoas”, afirmou o ministro, numa referência ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. “Eu quero saber se os senadores que estão na CPI não conversam com seus filhos, se eles não podem participar de almoço, de jantar, de conversa, porque o filho tem de ficar do lado do pai. Eles fazem isso porque sabem que Carlos Bolsonaro foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro”, emendou Faria, surpreendido por um abraço do vereador.

A intervenção do ministro reforçou a estratégia do Palácio do Planalto, empenhado em apontar erros da CPI da Covid. Àquela altura, em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) já havia protagonizado um bate-boca com integrantes da CPI, defendendo o irmão. “Carlos Bolsonaro... A todo momento (...) o nome dele é trazido a esta CPI, como se houvesse um conjunto de pessoas num aconselhamento paralelo, algo obscuro ou criminoso”, criticou Flávio, que não é integrante da CPI, mas reforça a tropa de choque governista.

“É para deixar rolar solto?”, reclamou Otto Alencar (PSD-BA) ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), sob o argumento de que Flávio não estava inscrito para falar naquela hora. O clima esquentou e houve tumulto na sessão.

Atualmente, há na CPI pedidos de requerimento para convocação de Carluxo e alguns senadores defendem até a quebra de sigilo bancário e telefônico do vereador. “Toda hora falam aqui de família. Já vi até ministro sendo acusado de dar aconselhamento paralelo ao presidente da República, por incrível que pareça!”, ironizou Flávio.

Irritado, o filho “01” de Bolsonaro disse, em seguida, que quem conversa todo dia com o presidente e influencia em suas decisões é o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. “Chama ele aqui e vê se ele influenciou alguma coisa nas políticas públicas”, insistiu.

Não demorou muito para que Malafaia fosse às redes sociais comentar o assunto. “Será que eu vou ser convocado?”, perguntou o pastor pelo Twitter. “Vou falar tudo que conversei com o presidente: cloroquina, Pfizer, Coronavac, lockdown, bilhões enviados a governos”./COLABOROU LAURIBERTO POMPEU 

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