Apagão programado está quase descartado

A possibilidade de adoção do chamado "plano B", que prevê apagões programados, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste "é muito remota", revelou nesta sexta-feira o diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário Santos. "Pela avaliação do ONS isto só ocorreria se houvesse um reversão muito forte do quadro hidrológico daqui para a frente ou se a sociedade relaxasse na adesão ao racionamento de energia", disse Santos, acrescentando não acreditar nestas hipóteses.Uma prova de que o governo também está descartando apagões este ano nestas regiões foi o anúncio hoje, pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), da redução de R$ 684 para R$ 336 no preço do megawatt/hora (MWh) da energia comercializada no mercado à vista nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte.No Nordeste, segundo Santos, a situação ainda é preocupante. Por isso, para esta região o preço sofreu uma redução menor, baixando de R$ 684 para R$ 562,15 por MW/h. Os novos preços, que passam a ser utilizados pelo Mercado Atacadista de Energia (MAE) entram em vigor neste sábado.Segundo o secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Joaquim Levy, a medida reflete as condições de segurança atuais do sistema elétrico, com a melhora nas condições hidrológicas e a elevação no nível dos reservatórios das usinas atingidas pela seca.Ele destacou também que o preço estipulado no início do racionamento, em junho, era muito conservador. "Fizemos uma reavaliação técnica dos preços do sistema levando em conta a evolução do processo de ajuste da economia nos próximos meses", comentou.Outra informação divulgada hoje pelo diretor-presidente do ONS foi a de que a capacidade de geração de energia que será alugada pelo País - principalmente por meio de usinas montadas em barcaças - já foi reduzida dos 4 mil MW previstos no início do racionamento para 3 mil MW.Mário Santos disse, porém, que não há como afastar a possibilidade de utilização deste estoque excedente. "Para não haver necessidade de contratação de capacidade adicional de geração teria de haver uma mudança hidrológica brutal nos dois últimos meses do ano, mas a natureza não dá saltos", disse Santos.Ele lembrou, porém, que o governo não irá contratar energia, mas sim capacidade de geração. A energia das usinas móveis ficará disponível para qualquer eventualidade. Joaquim Levy acrescentou que 3 mil MW é o nível máximo projetado até agora, mas expectativa do governo é de que esta necessidade possa ser ainda mais reduzida.

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