Apagão ameaça lavoura irrigada em Guaíra

A região de Guaíra,considerada o maior pólo irrigado no Estado de São Paulo, já está sofrendo os efeitos da estiagem acentuada que atingiu partedas culturas este ano, e podem ser ameaçadas, por conta do racionamento de energia previsto pelo governo, culturas que aindadependem da irrigação por poços artesianos."A maior parte da área irrigada depende de água de superfície, que este anopraticamente inexiste, já que o nível de água de córregos, lagoas e represas está muito abaixo do normal. A outra parte, queperfurou poços para retirar a água do fundo do solo, pode ter ameaçados seus investimentos, porque não poderá bombear estaágua durante todo o dia por conta do racionamento de energia", explicou José Luiz Pagoto, diretor do Escritório deDesenvolvimento Regional (EDR) de Barretos, que coordena os 12 mil hectares irrigados na região, 95% em Guaíra.Segundo ele,além das culturas de milho e feijão, também podem ter sua produtividade comprometida com os apagões a citricultura, já queas fazendas mantidas pela Cutrale, Citrosuco e Montecitrus na região mantêm irrigação constante nos pomares.O primeiro efeitoda estiagem na região de Guaíra, o represamento de lagos e córregos, segundo o presidente do Sindicato Rural local, CésarNikishi Uemura, já pôde ser sentido no início do plantio da safrinha.Parte dos produtores, irrigados ou não, decidiram não investirna produção este ano, devido às péssimas experiências com a quebra da safrinha nos três anos anteriores."Quem não irriga játem constatada a quebra entre 70% a 80% do que plantou, e os produtores que irrigam tiveram que reduzir a captação de águaem mais de 60%", afirmou o presidente do Sindicato Rural.Segundo ele, pelo menos dois dos 10 produtores que captam água junto ao ribeirão Jardim, que abastece a cidade, investiram na perfuração de poços artesianos para captar água e "tentar salvar alavoura"."Com o racionamento, estes investimentos podem ir por terra, porque as áreas irrigadas precisam debombeamento elétrico durante o tempo todo para abastecer os pivôs que funcionam 24 horas", explicou.Segundo o diretor doDepartamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) de Ribeirão Preto, Celso Perticarrari, que atende a 85 municípios da região, asituação de Guaíra é grave porque a agricultura depende diretamente tanto da água quanto da energia elétrica.Com os últimostrês anos de seca, o DAEE já vinha fazendo racionamento de captação de água entre os produtores, principalmente os que estãopróximos ao ribeirão Jardim.O ribeirão abastece cerca de 30% da área total irrigada em Guaíra. Segundo ele, por ser esse oribeirão que abastece a cidade, o DAEE decidiu priorizar a população, fazendo com que fosse mantido o nível de captação deágua pela prefeitura, mas reduzindo para 20% do total anterior o que é captado hoje pelos produtores rurais."Quem fez grandesinvestimentos ao longo dos últimos anos na perfuração de poços com reservatórios não terá problemas com o racionamento,porque durante os apagões esses reservatórios podem abastecer a área irrigada. Quem vai ser mais afetado é o produtor quenão investiu", comentou, lembrando que os produtores de Guaíra também estão comprando geradores próprios para manter ofornecimento de energia no período de duração do apagão.

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