Apadrinhado de Eduardo Campos, novo prefeito do Recife aborda 2014 na posse

Em seu discurso, Geraldo Julio (PSB) disse que governador de Pernambuco terá 'lugar de destaque' no cenário nacional

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

01 de janeiro de 2013 | 19h41

RECIFE - Apadrinhado do governador Eduardo Campos, que tem demonstrado disposição para disputar a presidência da República, o novo prefeito do Recife (PE), Geraldo Julio (PSB) tomou posse nesta terça-feira, 1, na Câmara Municipal, antevendo a participação do presidente nacional do PSB no cenário nacional. "Um lugar de destaque lhe espera no futuro político deste País", destacou ele no seu discurso de posse, centrado no padrão de gestão pública adotado pelo socialista, "o melhor governador do Brasil", e que, garantiu, servirá de norte para a sua administração.

"Este jovem líder da política nacional nos servirá de exemplo tanto na sua atuação política, pela habilidade e capacidade de juntar as pessoas, quanto na atuação administrativa, cujos resultados são conhecidos de nossa população e já admirados por todo o País", afirmou Julio ao lembrar que irá buscar, no Recife, a excelência na gestão pública perseguida pelo governador de Pernambuco.

Ele também assegurou sua confiança no apoio e parceria com a presidente Dilma Rousseff, a quem se referiu como "uma mulher brasileira que é exemplo de caráter e que guarda valores que serão caros à nossa gestão como o zelo pelo patrimônio público e o compromisso com as classes sociais menos favorecidas".

De perfil técnico, Geraldo Julio integrava o secretariado de Campos e teve seu nome, desconhecido, lançado para disputar a prefeitura diante de conflitos internos do PT, que se recusou a aceitar que o prefeito João da Costa disputasse a reeleição.

Eduardo deu a rasteira no aliado PT, que comandava o Recife há 12 anos, e seu candidato ganhou no primeiro turno, com 51,15% dos votos. O prefeito não enfrentará problemas na Câmara Municipal. Do total de 39 vereadores, só quatro são oposicionistas: o ex-ministro do governo Fernando Henrique, Raul Jungman (PPS), Aline Mariano e André Regis (PSDB) e Priscila Krause (DEM).

Geraldo Julio prometeu "trabalho, trabalho e trabalho", com união e paz política, para enfrentar os desafios e atender à forte expectativa que recai sobre sua administração. Ele foi eleito como uma espécie de "salvador da pátria" para fazer frente à administração petista, mal avaliada pela população, mas observou que a cidade "não precisa de um herói". "Precisa de trabalho em equipe, dedicação, experiência, atitude para governar e principalmente de disposição para o trabalho duro".

No discurso de 20 páginas, Julio também fez menção ao desempenho da economia brasileira, que deixou a desejar em 2012. "O Brasil precisa que sua economia cresça mais do que conseguiu em 2012", afirmou. "As contas públicas estão apertadas em todas as esferas, sobretudo nos governos municipais", afirmou ao tocar em um ponto que tem sido defendido pelo governador Eduardo Campos, que defende o pacto federativo ou "novo federalismo" com maior equilíbrio no repasse dos recursos federais para Estados e Municípios.

A urgência no atendimento às demandas da população - que vai de coleta de lixo a mobilidade urbana - atrelado a um momento econômico de baixo crescimento torna imprescindível, de acordo com o novo prefeito, "que se faça mais com menos e em menos tempo". Daí, a necessidade de uma "gestão profissionalizada, com metas e prazos a serem cumpridos, servidores valorizados e a utilização da meritocracia como importante instrumento na busca de resultados".

Presidente nacional de honra do PSB, o dramaturgo Ariano Suassuna, 85 anos, prestigiou a solenidade de posse, ao lado do governador. Carismático, Ariano disse que não poderia deixar de estar presente a um momento tão importante para o partido: "a conquista de uma capital historicamente, culturalmente e politicamente importante".

Depois da posse, Geraldo Julio seguiu para a prefeitura do Recife, para a transmissão de cargo pelo petista João da Costa. Como prova da pregada paz política, no seu secretariado, Julio contemplou todos os partidos aliados na coligação da Frente Popular. Inclusive pela corrente do PT ligada a João da Costa.

Com todo interesse numa boa administração socialista no Recife, que poderá servir de vitrine para "o jeito PSB" e o seu próprio jeito de governar, Eduardo Campos cedeu alguns de seus colaboradores para integrar a equipe de Geraldo Julio, de quem será o principal parceiro.

Tudo o que sabemos sobre:
Geraldo JulioRecifeEduardo Campos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.