Aos poucos, deficientes tem mais conquistas

A arquiteta Silvana Cambiaghi, a poeta Sílvia Cristina de Oliveira e o jogador de futebol Mizael Conrado são exemplos clássicos de superação. Deficientes, eles conquistaram o acesso à cidadania e à inclusão em uma sociedade que ainda discrimina surdos, pessoas que andam em cadeira de rodas, não enxergam ou são deficientes mentais.O universo de deficientes no Brasil - cerca de 24,5 milhões de pessoas - equivale quase a uma Argentina, mas, apesar de importantes vitórias, quase todas com base no esforço pessoal do deficiente no decorrer da semana que lembra o Dia Mundial da Pessoa com Deficiência, ainda há um longo caminho a percorrer para que esse grupo, 14,5% da população, conquiste a cidadania plena.As conquistas obtidas podem ser medidas em maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Entre as principais, figuram a criação de um curso de informática dirigido aos deficientes, o aumento de 475% no número de deficientes empregados em 16 cidades, a construção de 108 rampas de acesso em São Paulo e a comprovação por conta do bicampeonato mundial de futebol para cegos que habilidade independe da visão.CriançasTambém merecem registro positivo um curso de pesca amadora dedicado às crianças surdas, um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD), o www.add.org.br, uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros, além de condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País.No curso, oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com apoio da empresa Convergys e metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou a partir da parceria.Até o início do próximo ano, serão 30, de acordo com a presidente da Transformar, Maria Lúcia Dotta. "Eles querem se incluir e a informática está se revelando uma ferramenta essencial para facilitar a comunicação e o aprendizado", afirma.RecordeEm Osasco, a maior fiscalização para aplicação da legislação que determina às empresas com mais de 100 funcionários a contratação de 2% de deficientes fez que a Subdelegacia Regional do Trabalho registrasse um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de 1 mil empregados, o percentual é de 5%.Colhidos em 16 cidades da região de Osasco, os números, entretanto, escondem uma realidade perversa, de acordo com o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente. "Como a lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdos. Enquanto isso, muitos deficientes em cadeiras de rodas continuam procurando emprego e enfrentam discriminação", lamenta.O Grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas espalhadas pelo País, o selo de acessibilidade. Com o símbolo universal de acessibilidade, o símbolo garante aos deficientes que as lojas certificadas oferecem autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

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