André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Após reunião com Dilma, governadores prometem combater ameaças ao ajuste

Presidente se reuniu com os 26 chefes de executivos estaduais, em Brasília, em busca de auxílio para derrotar pautas do Congresso que implicam aumento dos gastos públicos e podem gerar efeito cascata: ‘Conto com vocês; vocês podem contar comigo’

Lisandra Paraguassu, Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 16h50

Atualizado às 00h08

Brasília - Após quatro horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff, os governadores se comprometeram ontem a ajudar a petista a desarmar no Congresso uma série de bombas fiscais que aumentam os gastos públicos federais e provocam efeito cascata nos Estados. 

Embora não tenha recebido um apoio explícito a seu mandato, a presidente obteve dos chefes dos Executivos estaduais a defesa da governabilidade e da estabilidade política com um objetivo claro: garantir o equilíbrio econômico. Mais do que a preocupação com a baixa popularidade do governo federal, os governadores deixaram claro que temem o aumento da crise financeira. 

Dos cinco governadores que deram entrevistas representando as regiões do País, apenas o tucano Geraldo Alckmin evitou falar em governabilidade. Questionado diretamente sobre se apoiava ou não um processo de impeachment, o governador de São Paulo afirmou que o tema não foi tratado na reunião. “Não há nenhuma discussão sobre isso. O que defendemos é investigação e o cumprimento do que está na Constituição”, disse. 

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), foi o único que tratou diretamente da possibilidade de interrupção do governo Dilma Rousseff, afirmando que houve a defesa “da estabilidade institucional, da ordem democrática, do Estado de Direito e contra qualquer tipo de interrupção das regras constitucionais brasileiras e, portanto, da manutenção do mandato legítimo da presidente Dilma Rousseff, que foi eleita para cumpri-lo”. 

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), deixou clara a necessidade de manter a estabilidade política para resolver os problemas econômicos. “A nossa postura em relação à governabilidade é que é importante a estabilidade política para gerar estabilidade econômica. O País não pode permanecer, a partir de uma instabilidade política, gerando uma instabilidade econômica, porque o setor produtivo pensa três vezes antes de investir”, afirmou. “É importante que se resgate a questão da estabilidade, garantindo a governabilidade para quem naturalmente foi eleito, todos nós, governadores, e a presidente Dilma também.” 

Nome da oposição, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), repetiu que os governadores firmaram “apoio ao Estado democrático de direito, à estabilidade política e econômica e o apoio ao ajuste fiscal”, além de se colocar claramente contra o aumento de gastos provocado pela pauta do Congresso – a mesma linha seguida pelo governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD).

Bancadas. Um dos principais objetivos da presidente, no entanto, foi atingido. Os governadores deixaram claro que tentarão trabalhar com suas bancadas no Congresso para evitar a aprovação de novos projetos que aumentam as despesas não apenas para a União, mas com efeitos imediatos para Estados e municípios. Entre eles, a criação de um piso nacional para policiais e bombeiros, a derrubada dos vetos à mudança no fator previdenciário e ao reajuste do Judiciário e a mudança no fator de reajuste do FGTS, o aumento médio de 59% para os trabalhadores do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do MP, em tramitação no Senado. Todos, de alguma forma, tem efeito cascata para Estados e municípios. 

“Esse País precisa entender que queijo de graça só em ratoeira. As bombas fiscais preocupam todo mundo, porque você desequilibra a conta dos Estados e piora a prestação de serviços”, afirmou o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB). 

Sofrimento. Ao falar da conjuntura econômica, a presidente reconheceu que o “povo está sofrendo” e “muita coisa tem de melhorar”. Dilma frisou que Estados e União estão no mesmo barco e precisam se ajudar mutuamente para vencer as adversidades. “Não nego as dificuldades, mas eu afirmo que nós todos aqui, e o governo federal em particular, têm condições de superar essas dificuldades, num prazo bem mais curto do que alguns pensam.”


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