ED FERREIRA/ESTADAO
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Aos 70 anos, PSB se divide entre volta às origens e pragmatismo político    

Discurso de centro esquerda esbarra na relação com Alckmin; vice-governador Márcio França pretende estar ao lado do tucano na corrida ao Planalto em 2018

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 05h00

Um dos mais antigos partidos brasileiros em atividade, o PSB acaba de completar 70 anos dividido entre voltar às suas origens de centro-esquerda ou embarcar no projeto presidencial do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Diante da perspectiva de perder pelo menos 12 dos seus 36 deputados para o DEM, a sigla radicalizou o discurso contra as reformas. O evento de celebração da efeméride em Brasília na quarta-feira passada foi embalado por palavras de ordem contra Michel Temer.

"Outras debandadas já aconteceram ao longo da nossa história. Em 1950, dos 9 deputados da bancada, 5 saíram para apoiar Jânio Quadros. Em 1986, um grupo queria que o partido fosse uma sublegenda do MDB. Anthony Garotinho tentou tomar a legenda de Miguel Arraes, mas não conseguiu", disse ao Estado o presidente da sigla, Carlos Siqueira.

Integrante da ala anti-Temer do partido, o deputado Júlio Delgado (MG) afirmou acreditar que a debandada vai acarretar um processo de depuração partidária. "Nesse três anos depois da morte de Eduardo Campos, o PSB foi um partido sem cabeça. A tendência agora é o partido regressar às origens, de centro esquerda."

O discurso de centro esquerda, porém, esbarra na relação entre Alckmin e o PSB. O vice-governador de São Paulo, Márcio França, é hoje o nome mais forte para assumir o comando nacional da legenda.

Seu projeto é claro: estar ao lado de Alckmin em 2018 na disputa pelo Palácio do Planalto. Há, porém, um setor do partido que resiste a aproximação, e ele está em Pernambuco, Estado governado pelo PSB e onde nos últimos anos residiu a principal base pessebista.

No Estado de Eduardo Campos, sua família se dividiu após a morte do então candidato à Presidência, 2014.  Sua prima Marília Arraes, que é vereadora do Recife, migrou para o PT, por onde planeja disputar o governo estadual ano que vem. O advogado Antonio Campos, irmão de Eduardo, foi do PSB para o Podemos, por onde disputará uma vaga de deputado federal contra o sobrinho João Campos (PSB), chefe de gabinete do Estado. A mãe de Eduardo Campos, Ana Arraes, não descarta deixar  Tribunal de Contas do Estado para entrar na disputa e pacificar a família.

"Com certeza o PSB caminha para ser uma linha auxiliar do Geraldo Alckmin. O partido não tem uma prática de esquerda", disse a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que durante 19 anos foi filiada ao partido.

O historiador Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lembrou que o PSB nasceu como uma terceira via entre o varguismo e o comunismo. Fundado em 6 de agosto de 1947, o PSB teve em seu ato inaugural nomes como Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Antonio Candido, Joel Silveira e Rubem Braga, todos liderados por João Mangabeira.

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