Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ao ser diplomada, Dilma pede 'pacto' contra corrupção

Presidente usou o discurso na cerimônia para fazer uma defesa enfática da Petrobrás: 'temos que punir as pessoas, não as empresas'

Beatriz Bulla e Tania Monteiro, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2014 | 21h17


Brasília - A presidente reeleita, Dilma Rousseff, usou seu discurso na cerimônia de diplomação para o próximo mandato de quatro anos para fazer uma defesa enfática da Petrobrás, principal empresa brasileira envolta em escândalos revelados pela Operação Lava Jato, e propor um "pacto" para combater a corrupção no País. "Temos que punir as pessoas, não destruir as empresas. Temos que saber punir o crime, não prejudicar o País ou sua economia. Temos que fechar as portas, todas as portas, para a corrupção. Não temos que fechá-las para o crescimento, o progresso e o emprego", disse

A cerimônia de diplomação, realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), habilita a presidente a tomar posse no cargo em 1º de janeiro. A presidente recebeu o diploma das mãos do ministro Dias Toffoli, presidente da Corte eleitoral, que também diplomou Michel Temer como vice-presidente.

No discurso, a presidente falou que a corrupção não é defeito ou vício " de um ou outro partido, de uma ou outra instituição" e afirmou que a "não dissolução" de laços entre público e privado é "herança nefasta" do sistema patrimonialista. "Chegou a hora de o Brasil dar um basta a esse crime que ainda teima em corroer nossas entranhas", afirmou.

Em referência velada ao escândalo, Dilma defendeu que a Petrobrás não seja afetada pela eventual punição de funcionários. Ela afirmou que "alguns funcionários" da estatal foram atingidos no processo de combate à corrupção, mas ressaltou que a situação tem sido enfrentada com "destemor". "Temos que saber apurar e saber punir, sem enfraquecer a Petrobrás, sem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro", disse.

Ela anunciou ainda que fará, no discurso de posse, em 1º de janeiro, o detalhamento das medidas que serão tomadas para garantir "mais crescimento, mais desenvolvimento econômico e mais progresso social". A presidente falou em oferecer ao Brasil "luta renovada" por justiça social, educação de qualidade, igualdade de oportunidades, estabilidade econômica e política e compromisso com a ética. Sobre a economia, disse que a estabilidade será fundada em crescimento sustentado, no controle da inflação. "Crescimento que vai se acelerar mais rápido do que alguns imaginam".

Dilma afirmou que é preciso empreender uma reforma política e ainda uma mudança cultural. "Sei que é um trabalho de mais de uma geração", disse. "Quero ser a presidente que ajudou a tornar esse processo irreversível."

Ela aproveitou o discurso para pedir que a oposição "exerça da melhor forma seu papel". "Como uma eleição democrática não é uma guerra, ela não produz vencidos", disse. "Quem vence com o voto da maioria e não governa para todos transforma a força majoritária em um legado mesquinho", completou.

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