Ao nomear ministros Dilma está saindo da sombra de Lula, afirma revista

The Economist não deixa de citar que a presidente já havia demitido 7 titulares no ano passado

Sílvio Guedes Crespo, do Radar Econômico

16 de fevereiro de 2012 | 16h52

As nomeações de Maria das Graças Foster para a presidência da Petrobrás e de Eleonora Menicucci para a Secretaria de Políticas para Mulheres mostram que a presidente Dilma Rousseff está, de fato, "saindo da sombra" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, opina a revista The Economist na edição que chega às bancas do Reino Unido nesta sexta-feira, 17.

 

A publicação não deixa de citar que a presidente já havia demitido sete ministros no ano passado. Mas nesses casos os substitutos não tinham necessariamente a cara de Dilma. No lugar de Mário Negromonte (Cidades), por exemplo, entra um político indicado pelo partido dele, o PP.

 

Já a escolha de Graça Foster foi um fato "particularmente notável", na opinião da revista. A nomeada expressou "apoio incondicional" a Dilma, o que "pode não ter caído bem para os acionistas minoritários" da Petrobras, mas mesmo assim as ações subiram. O motivo, avalia a Economist, é que a experiência de Graça Foster "mais do que compensou" o efeito negativo que a subserviência da empresa à Presidência poderia causar.

 

O caso de Eleonora Menicucci também foi emblemático porque ela tem sido "próxima da presidente desde que as duas dividiram cela durante a ditadura", opina a revista.

 

Para o semanário, Dilma pode estar "pavimentando o caminho para uma agenda mais ambiciosa". A seu favor, a presidente conta com uma popularidade alta: 59% de aprovação na última pesquisa, dez pontos a mais do que em meados do ano passado. E tem, ainda, uma oposição relativamente pequena no Congresso (91 de 513 deputados).

 

Mas a revista aponta barreiras a serem vencidas: "Conseguir qualquer coisa em Brasília é demorado e exige negociações tortuosas com parceiros da coalização. A liberdade de manobra (de Dilma) ainda é limitada pela inexperiência dela e por dívidas políticas com aliados que ajudaram a elegê-la".

 

Crítica a Lula. A reportagem da Economist se refere a Dilma sempre de forma neutra ou até favorável. Porém, a Lula a publicação desferiu uma crítica forte: "Lula era um negociador consumado e um pragmático, que, como muitos outros presidentes brasileiros, comprou lealdade distribuindo cargos no governo e favores".

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