Ao lado de vice de Serra, Kassab parte para ataque a Marta e ao PT

'Não podemos ficar no botox', discursou na convenção, quando também culpou Lula pelos problemas no trânsito

Fausto Macedo e Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

Num discurso de quase uma hora, diante de uma militância animada e barulhenta, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), assumiu ontem, formalmente, sua candidatura à reeleição e já revelou a estratégia para a campanha: bater forte na rival Marta Suplicy (PT), tentando polarizar com ela o debate para reduzir o espaço do tucano Geraldo Alckmin. "Assumo a candidatura como peça essencial da aliança para dar mais qualidade de vida aos paulistanos", disse o prefeito, no final da convenção do DEM, na Assembléia Legislativa.   Online coberturas das convenções do PPS e PVKassab foi indicado por aclamação, pouco antes, pelos 81 convencionais do partido. Em outra sala, perto dali, o PMDB fazia sua convenção, que ratificou a adesão ao prefeito. Ele já conta com o apoio do PR, decidido em convenção quarta-feira, e deve receber hoje o do PV.Ao seu lado, a tropa de choque era respeitável. Em nome do governador José Serra, apareceu o vice Alberto Goldman, que brilhou pelos descuidos (leia ao lado). Além dele, o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, e a grande maioria dos vereadores do PSDB. Também compareceram o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, e a cúpula do DEM - o presidente nacional, deputado Rodrigo Maia (RJ), o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, e o ex-vice-governador Claudio Lembo, entre outros.Kassab começou o discurso com um "oooi, gente!" e logo saiu batendo no PT, que acusou de "pouca seriedade" com a coisa pública. "Minha proposta é radicalizar no caminho da seriedade." Aos poucos, foi desfiando ironias contra Marta. "O que tem de aparecer não é uma grife famosa, mas o que se faz pelo povo", declarou. Mais adiante, sobre obras anunciadas e não realizadas: "Não podemos ficar só no botox." Fechando o cerco, advertiu: "Não podemos permitir que os responsáveis pelos problemas que enfrentamos ponham a perder tudo o que construímos."Ao abordar suas realizações, demorou-se na lista de obras e na campanha Cidade Limpa. Também disse ter fechado "todos os bingos e mais de 200 postos que vendiam combustível adulterado". Mas não reservou mais que 30 ou 40 segundos para falar do trânsito. Queixou-se do governo federal, "omisso na recuperação da malha metroviária".Entre suas promessas, falou em "universalizar o período integral para o ensino fundamental" e continuar construindo mais unidades de assistência médico-ambulatorial (AMA).Antes dele, o presidente do DEM, deu a palavra de ordem à militância: "Não adianta só eleger Kassab, tem de ter grande número de vereadores."ESCADAA peemedebista Alda Marco Antônio, sua provável vice, saiu-se com uma alfinetada que antecipa outra linha da campanha: "Só Kassab quer governar São Paulo. Os outros candidatos querem a prefeitura como escada para seus projetos."Do lado de fora da Assembléia, um palco foi montado para um showmício (antes da campanha não é proibido) que só ficou no show, visto que o prefeito foi embora, por volta de 13 horas, sem aparecer. Ali, desde 10 da manhã, um sistema de som barulhento e animadores incansáveis apresentaram músicas que centenas de "militantes", com camisetas de vários vereadores, cantavam junto.

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