Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ao lado de ministros e Maia, Temer não comenta segunda denúncia

Em defesa de presidente, titular da Saúde afirma que 'estamos governando plenamente'; jornalistas são afastados de convidados durante evento no Rio

Constança Rezende e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 12h04

RIO - O presidente Michel Temer evitou a imprensa durante agenda oficial nesta sexta-feira, 15, no Rio, um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar a segunda denúncia contra ele e outros acusados, descrita como 'quadrilhão do PMDB'. O evento, no Instituto Estadual do Cérebro, foi estruturado para impedir o contato do presidente com jornalistas.

Temer e outras autoridades, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), ficaram em uma sala com médicos e funcionários do hospital. Ali ocorreu a solenidade. Já os profissionais de imprensa ficaram em um auditório, acompanhando o discurso por um telão. Ele também foi embora sem dar entrevistas. Seguranças impediram os jornalistas de deixarem o auditório até que o presidente saísse do prédio. A organização montou um púlpito em outro andar do hospital, para o caso de o presidente querer falar, mas ele não chegou a ser utilizado.

Também estiveram presentes os ministros da Saúde, Ricardo Barros (PP), da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy (PSDB), e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), e o vereador e ex-prefeito Cesar Maia (DEM), pai de Rodrigo Maia. Na ocasião, eles inauguraram um centro de radiocirurgia do instituto.

Temer também não fez nenhuma referência à nova denúncia no seu discurso, no qual elogiou os esforços para que o governo federal apoiasse o instituto. "O Rodrigo Maia foi advogado dessa causa", disse Temer. Ele lembrou que ontem esteve nas obras para a ponte no Rio Araguaia, que ligará o Tocantins ao Pará. "Aqui também é uma ponte, uma ponte para melhorar saúde do Rio de Janeiro e do nosso País. E ainda pode servir de exemplo para outros tantos hospitais. É hospital público e com essa qualificação extraordinária", declarou o presidente.

Temer também pediu que Ricardo Barros entrasse em acordo com o secretário estadual de Saúde para que os governos federal e estadual unissem esforços pela conclusão das obras do edifício que abriga o Instituto do Cérebro. "O governo estadual põe um pedacinho, o federal põe um pedação, e nós vamos concluir essa obra", prometeu.

Barros disse que o governo estava ampliando em 55% os repasses para o Instituto do Cérebro, para R$ 70 milhões por ano. Segundo Temer, houve empenho tanto de Rodrigo Maia quanto do ministro Moreira Franco, além da atuação persistente da bancada federal do Rio para a liberação das verbas. "Prestigiar significa aumentar as verbais anuais para o instituto", afirmou o presidente.

Barros defendeu Temer ao comentar a nova denúncia por organização criminosa e obstrução da Justiça apresentada contra o presidente e outros ministros de governo na quinta-feira, 14, pelo procurador-geral da República.

Segundo Barros, a denúncia não interfere nem paralisa o governo. "As questões jurídicas ficam para o Judiciário", afirmou Barros a jornalistas, após a cerimônia de inauguração do centro de radiocirurgia do Instituto Estadual do Cérebro, no Rio. "Estamos governando plenamente. Essas questões não interferirão na determinação do presidente Temer de entregar um País melhor do que recebeu", declarou Barros.

INQUÉRITO

Além da segunda denúncia apresentada por Janot, o presidente da República passou a ser alvo de uma nova investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Luís Roberto Barroso decidir pela abertura de inquérito contra Temer para apurar fatos relacionados ao Decreto dos Portos, editado em maio deste ano. A apuração se dará sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

A necessidade de uma investigação sobre a edição do Decreto dos Portos foi inicialmente apontada pelo procurador em junho, quando a PGR enviou ao Tribunal a denúncia contra o Temer por corrupção passiva. Analisando o que foi informado pela PGR, Barroso disse que há “elementos suficientes para instauração e inquérito”.

As suspeitas sobre o presidente da República em torno da edição do Decreto dos Portos surgiram a partir de uma conversa de pouco mais de 2 minutos com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, interceptada pela Polícia Federal em 4 de maio. Loures estava grampeado. O deputado tentava saber sobre a assinatura do Decreto dos Portos e Temer informou o parlamentar que iria assinar o decreto na outra semana.

 

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