Ao lado de Kassab, Serra cita mensalão contra rivais

No primeiro evento após o início da campanha em que aparece ao lado do prefeito, o candidato tucano diz que não precisa 'responder pela honra' no STF

Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h01

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, fez nessa terça-feira, 14, uma referência indireta ao julgamento do mensalão para defender seu grupo político de críticas dos adversários na disputa eleitoral.

"Nenhum de nós precisa responder pela honra junto ao Supremo Tribunal Federal, ninguém", disse o candidato em discurso na Casa de Portugal, região central da capital paulista.

Entre os 38 réus do processo que começou a ser julgado há duas semanas pelo STF, estão ex-dirigentes do PT - partido de Fernando Haddad, adversário de Serra na disputa. Também é alvo da ação, no entanto, o deputado Valdemar Costa Neto, que articulou o apoio do PR à candidatura do tucano em São Paulo.

Serra citou indiretamente o escândalo da mensalão ao subir ao palanque do primeiro evento oficial de campanha que teve a participação do prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu aliado. Kassab é mal avaliado pelos paulistanos e seu governo é alvo de denúncias de corrupção - exploradas pelos candidatos de oposição à sua gestão e à candidatura de Serra.

"Nessa campanha, vai ter um tiroteio muito grande em cima da gente", afirmou o candidato do PSDB, ao lado do prefeito. "Como não se tem coisas verdadeiras para se dizer a nosso respeito, vão dizer coisas falsas."

Serra não mencionou nominalmente o PT ou o processo em que líderes do partido são acusados de compra apoio político no Congresso, mas insinuou que seus adversários têm ligação com a corrupção.

"Eu estou na vida política parlamentar e governamental há 30 anos. (Tenho) vida limpa e de realizações", afirmou.

Na véspera, ao ser perguntado sobre o mensalão, Serra disse apenas que espera "que a Justiça decida e as penas sejam aplicadas", evitando comentar o impacto do julgamento na disputa eleitoral. "Não dá para prever e nem é o meu papel", observou.

Engajamento. Há meses, o prefeito Kassab trabalha nos bastidores pela eleição de Serra, em reuniões com políticos, empresários e líderes religiosos. No discurso de ontem, ele disse que os rivais do tucano "não conhecem a cidade" e que acha "um privilégio" tê-lo como candidato.

Ao lado da equipe de Serra, Kassab começou a organizar a participação de deputados, secretários de Estado e subprefeitos na campanha. Ontem, no horário do almoço, o prefeito reuniu os 31 subprefeitos do município e pediu seu engajamento na eleição, em horários compatíveis com suas funções. Na próxima segunda-feira, será definida a participação de deputados estaduais e federais, e de secretários do governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

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