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Itália quer ‘solução’ para casos judiciais

Em reunião com a presidente Dilma Rousseff, premiê italiano cita pendências bilaterais de Justiça sem mencionar nomes de Battisti e Pizzolato

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 13h33

Atualizado às 22h34

ROMA - Ao discutir nesta sexta-feira, 10, com a presidente Dilma Rousseff questões judiciais, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, cobrou uma “solução” para situações “difíceis” sem citar os nomes do ex-ativista Cesare Battisti e do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. O primeiro está no Brasil após receber a condenação de 12 anos de prisão na Itália por homicídio. Já o condenado pelo mensalão aguarda autorização da Justiça italiana para ser extraditado ao Brasil. 

“Falamos no setor da Justiça”, disse Renzi após um encontro com Dilma em Roma nesta tarde. “Penso e espero que as relações renovadas baseadas na cortesia também possam trazer soluções em casos difíceis, como os relacionados à Justiça”, disse. A declaração foi interpretada pelo governo italiano como uma convocação da Itália para que o Brasil reconsidere a situação de Battisti. 

Em 2007, o ex-ativista foi preso no Rio de Janeiro após fugir da Itália. Mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou sua extradição e lhe garantiu asilo, em 2010. Já o condenado do mensalão fugiu para a Itália após condenação no Brasil.

Foi a primeira vez que Dilma esteve com Renzi desde a decisão do governo italiano em autorizar a extradição de Pizzolato, em abril deste ano. Oficialmente, o assunto do ex-diretor do Banco do Brasil não esteve na agenda, mas nos bastidores o governo italiano espera que o Palácio do Planalto possa “retribuir”.

Uma das retribuições seria o caso de Battisti, condenado por homicídio na Itália e que ganhou asilo no Brasil. Ex-militante do grupo italiano Proletários Armados para o Comunismo, Battisti recebeu condenação naquele país à prisão perpétua por envolvimento em quatro assassinatos cometidos nos anos 1970. 

Agora, com a decisão de Renzi de extraditar Pizzolato, a esperança é de que o gesto seja retribuído. Durante a reunião, Renzi insistiu que chegou o momento de uma “relação renovada” com o Brasil. 

Pizzolato está preso na Itália e aguarda um parecer final da Justiça após sua defesa entrar com recurso contra a decisão do governo italiano em autorizar sua extradição ao Brasil. A audiência está marcada para setembro. Pela primeira vez na história das relações bilaterais, Roma aceitou extraditar um cidadão que também tem nacionalidade italiana. 

Agenda comercial. Ontem, o tom da declaração conjunta de Renzi e Dilma foi justamente o “relançamento” das relações entre os dois países. Os italianos também esperavam ouvir de Dilma uma posição favorável às empresas de Roma. Cerca de 1,2 mil atuam no Brasil, com um estoque de investimentos de quase US$ 20 bilhões. O comércio, em 2014, também colocou os italianos entre os dez maiores parceiros comerciais. 

A resposta da presidente brasileira foi um convite para que as empresas italianas participem do plano de concessões em infraestrutura logística lançado recentemente pelo governo federal. “A Itália é um parceiro essencial”, disse Dilma. “No comércio, Brasil e Itália têm um caminho a percorrer. As nossas relações se darão no mais alto nível”, afirmou.

“Oportunidades de investimentos se abrem no Brasil, como as ferrovias, e os leilões de portos e aeroportos.” Dilma também convidou Renzi a fazer uma visita ao Brasil. “Vamos recebê-lo de braços abertos.” Segundo o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Itália é o segundo maior parceiro comercial do Brasil entre os membros da União Europeia. Os italianos organizam para o final do ano ou início de 2016 uma ampla comitiva de empresários em busca de negócios no País. 

Sob calor intenso do verão romano, a presidente ainda se disse “iluminada pelo sol, pela cultura e pelas pessoas na Itália”. Em duas ocasiões, porém, insistiu em chamar o primeiro-ministro de presidente.

 Após cumprir agenda na capital italiana, Dilma foi a Milão (mais informações ao lado) visitar o pavilhão brasileiro na Expo Mundial, evento que passou a ser alvo de protestos por seu alto orçamento com recurso público. O espaço brasileiro é o segundo mais visitado na feira, graças à instalação de uma rede que serve de brinquedo para centenas de crianças todos os dias. Uma das frequentadoras é a filha menor de Renzi. “O pavilhão do Brasil é o mais amado pelas crianças”, disse o italiano.


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