Ao depor, Tarso defende ação da PF na extradição de cubanos

Ministro da Justiça falou à Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o caso dos desertores

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

23 de agosto de 2007 | 18h13

O ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a defender a ação da Polícia Federal no episódio da deportação para Cuba de dois atletas que haviam fugido da delegação nos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, durante depoimento nesta quinta-feira, 22, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.   Tarso negou que o Brasil tenha cedido a pressões do governo de Fidel Castro para capturar os atletas fugitivos - os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara - e disse que a Polícia Federal agiu estritamente dentro da legalidade. Segundo o ministro, os atletas tiveram toda a assistência jurídica e rejeitaram as ofertas de refúgio, manifestando o desejo reiterado de voltar para Cuba. Tarso negou que tenha sofrido qualquer ingerência ou pressão indevida para forçar o retorno dos atletas, ocorrida dois dias depois.   Para reforçar o argumento, Tarso disse que três outros fugitivos que pediram refúgio continuam no Brasil livremente. "Se estivéssemos a serviço do governo cubano, faríamos um pacote completo com os cinco fugitivos - os dois que pediram para voltar e os três que pediram refúgio", acrescentou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, presente à audiência. PolíticaAs explicações de Tarso e Lacerda não convenceram o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da comissão. Ele acusou o governo brasileiro de ter cedido a pressões da "ditadura comunista" de Cuba. Disse que a deportação macula a imagem de Genro, pois, a seu ver, o governo brasileiro colocou a PF a serviço de um complô cubano para evitar uma fuga em massa dos atletas mandados ao Pan. "O ditador de Cuba, Fidel Castro, foi duríssimo e enquadrou o governo brasileiro, resultando na deportação dos atletas", atacou o senador.       Para reforçar o argumento, Tarso  disse que três outros fugitivos que pediram refúgio continuam no Brasil livremente. "Se estivéssemos a serviço do governo cubano, faríamos um pacote completo com os cinco fugitivos - os dois que pediram para voltar e os três que pediram refúgio", acrescentou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, presente à audiência. Segundo o delegado, não houve contato de autoridades cubanas antes, durante ou depois dos jogos para pressionar. "Os contatos ocorreram no nível da segurança dos jogos, entre a delegação cubana e a delegacia de Niterói, onde foi notificado desaparecimento dos atletas", completou.   As explicações de Tarso e Lacerda não convenceram a ala mais radical da oposição, sobretudo ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da comissão. A sessão acabou se transformando um embate ideológico como nos tempos da guerra fria, envolvendo discussões acalorada entre posições extremadas de direita e esquerda. Na platéia, olheiros do governo cubano e da Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), acompanhavam os debates em silêncio.   Heráclito insistiu na tese conspiratória e acusou o governo brasileiro de ter cedido a pressões da ditadura comunista de Cuba. Disse que a deportação foi um ato açodado que macula a imagem de Genro, pois, a seu ver, o governo brasileiro colocou a PF e seu aparato de segurança a serviço de um complô cubano para evitar uma fuga em massa dos atletas mandados ao Pan-Americano, forçados a voltar antecipadamente ao país, antes do encerramento dos jogos.   "O ditador de Cuba, Fidel Castro, foi duríssimo e enquadrou o governo brasileiro, resultando na deportação dos atletas", atacou o senador. Inconformado, Heráclito começou a ver sinais vermelhos em toda parte e levantou dúvida sobre o aval dado pela OAB e o Ministério Público à deportação dos cubanos. Ele criticou até o alto comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que não acusou nenhuma ilegalidade na deportação.   Em tom de gozação, a líder do governo no Senado, Ideli Salvati (PT-SC), sugeriu que Heráclito destitua a direção do Acnur e assuma o comando do órgão. O senador não gostou da provocação e houve um princípio de bate boca entre os dois. "Ouso sim criticar a ONU. Meu trabalho aqui é exercer o mandato com independência. Dispenso suas sugestões. Eu não denuncio colegas".   A oposição acusou o governo de agir com pressa excessiva ao mandar os atletas de volta 72 horas após a sua localização, na praia de Araruama, no Rio. Os pugilistas haviam abandonado a delegação em 20 de julho, na véspera de iniciarem suas competições. Eles passaram dias negociando transferência para a Alemanha, onde atuariam como pugilistas profissionais, mas acabaram se arrependendo e decidiram voltar ao seu país.

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