Ao depor sobre mensalão, Jefferson recusa delação premiada

Pivô do escândalo, ex-deputado diz que delatar outros envolvidos em troca de benefícios 'é coisa de vagabundo'

Wilson Tosta, de O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2008 | 16h22

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, depôs nesta terça-feira, 12, à Justiça Federal, sobre o esquema do mensalão e rejeitou a proposta do juiz Marcelo Granado de delatar outros envolvidos em troca de benefícios no processo. "Delação premiada é coisa de vagabundo", declarou o ex-deputado aos repórteres na saída.       Veja também: Escândalo dos cartões é pior que mensalão, diz Jefferson Veja quem são os 40 do mensalão    Jefferson confirmou também ter recebido 4 milhões de reais do PT em 2004. "O PT assumiu compromisso de financiar a candidatura de vereadores e prefeitos do PTB no Brasil. O PT alardeava que tinha um caixa de 120 milhões de reais...Recebi do PT 4 milhões para as eleições de 2004 numa relação de confiança que foi quebrada", disse Jefferson ao juiz Marcelo Granado, da 10a Vara Federal do Rio de Janeiro, no processo em que é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.   Embora tenha confirmado em termos gerais a existência do pagamento de propinas a deputados em troca de apoio ao Poder Executivo, o deputado cassado evitou fazer acusações diretas a outros acusados, alegando estar depondo como réu, não como testemunha. Segundo ele, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, como ministro político do governo, sabia de tudo o que se passava. Mas não foi muito direto nessa acusação.     Em seu depoimento, Jefferson chegou a elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que, depois de contar ao presidente sobre o mensalão, Lula ficou indignado. O ex-deputado declarou que houve, a partir daí, diminuição nos pagamentos, o que teria coincidido com a insatisfação de deputados que culminou com a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara.   No entanto, o ex-deputado disse que aquela derrota do governo aconteceu principalmente porque o PT havia indicado "uma mala" para concorrer. Ele se referia ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, cujo nome ele disse não lembrar mas que definiu como "antipático".   Jefferson manteve apenas o tom duro em relação ao PT e repetiu que o partido oferecera R$ 20 milhões ao PTB em troca de apoio nas eleições de 2004. Segundo o ex-deputado apenas R$ 4 milhões foram entregues e distribuídos entre candidatos do seu partido. Em troca, petebistas apoiaram candidatos do PT em várias capitais.   O presidente do PTB disse ter se queixado na época com o então presidente do PT, deputado José Genoino (PT-SP), e com o ex-tesoureiro petista Debelei Soares sobre a necessidade de legalizar a contribuição em dinheiro. "Nossa divergência começou aí", afirmou.   Jefferson aproveitou o final do seu depoimento para atacar o Ministério Público e a Polícia Federal.         (Com Reuters)   Texto atualizado às 20 horas

Tudo o que sabemos sobre:
Roberto JeffersonCaso Mensalão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.