André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ao deixar Casa Civil, Mercadante acusa oposição de 'golpismo'

Em discurso duro, ministro vê 'devaneios partidarizados' e critica 'terceiro turno'; Jaques Wagner assume pasta com tom conciliatório

Isadora Peron, Vera Rosa e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2015 | 11h39

Atualizada às 14h57

Um dos nomes mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, não disfarçou o seu desconforto ao transmitir o cargo de titular da Casa Civil para Jaques Wagner. Ele aproveitou o seu discurso para afirmar que sabia aceitar críticas e cobrar da oposição, a quem chamou de golpista, respeito ao calendário eleitoral.

"Eu não imaginava que o ano de 2014 se prolongaria até hoje para alguns. Foi-se o Natal, o ano novo, mas parte da oposição nem percebeu. E não percebeu também que foram derrotados legitimamente nas urnas", disse.

Sem falar em impeachment, ele acusou os partidos de oposição de "acenar desavergonhadamente com o golpe e um terceiro turno" e apontou o clima de disputa política como um dos fatores que impedem o Brasil a sair da crise. "Erros na condução da economia podem ser corrigidos, crimes contra a democracia não. A dose do golpismo é sempre letal", afirmou. 

Segundo Mercadante, o ideal seria que o ajuste fiscal fosse "pactuado" entre todas as forças políticas, mas, como isso não é possível no momento, a oposição deveria, ao menos, "tentar não mexer nos calendários". "Não prolongar 2014 e não antecipar 2018 já seria o suficiente para que o Brasil supere logo essa fase e retome um novo ciclo de crescimento", disse.

Depois de falar sobre a sua trajetória política e os cargos que ocupou no governo Dilma, Mercadante afirmou que suportava críticas com "paciência", mesmo quando elas eram "exageradas e injustas". Ele disse também não guardar "rancores" e que tinha "imenso orgulho" de fazer parte do governo, "em qualquer função que for julgado necessária". "Quem está empenhado na construção de um País melhor e mais democrático não pode ceder à mediocridade autoritária e estéril do ressentimento e do ódio", disse.

Dilma resistiu o quanto pode à pressão de aliados, inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediam que Mercadante deixasse a Casa Civil. Com o agravamento da crise, porém, ela aceitou substitui-lo por Jaques Wagner, que é visto como uma pessoa de perfil mais conciliador.

Em seu discurso, Wagner também adotou um tom que foi entendido como um recado a seu antecessor. Falando em humildade, disse que não queria ser conhecido como "superministro" e que não acredita em "salvador da pátria". "Não chego à Casa Civil com valentia, porque não é o meu estilo, mas também não chego com medo, porque tenho coragem de enfrentar os desafios", afirmou.

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