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Ao criticar 'retórica' usada pelo governo brasileiro, jornal 'Le monde' defende novas eleições

Para a publicação, instituições brasileiras não estão em perigo, mas 'a corrupção é um veneno mortal que deve ser combatida'

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2016 | 19h03

Em editorial publicado na edição desta quarta-feira, 30, o diário francês Le Monde criticou a retórica usada pelo governo de Dilma Rousseff para desqualificar a articulação política que tenta aprovar o impeachment da presidente. "Revolta das classes médias, recessão econômica e volta da inflação, partidos gangrenados pela corrupção e uma presidente ameaçada de destituição. Após um início de século brilhante, o Brasil atravessa uma crise sem precedentes, que o conduziu, há não muito tempo atrás, a um golpe de Estado. Esses tempos, no entanto, fazem parte do passado, e esta não é mais uma época de ditaduras militares apoiadas pela CIA", afirma o editorial, intitulado "Isto não é um golpe de Estado".

A publicação afirma que a destituição do presidente é prevista pela Constituição brasileira e cita, como exemplo, a deposição de Fernando Collor de Mello no início dos anos 1990. Ela também lembra que o putsch (golpe) de 1964 se traduziu na suspensão dos direitos civis e das liberdades, na prisão e tortura de opositores, na censura da imprensa e em execuções sumárias. "Dilma Rousseff e o antigo sindicalista Lula sabem disso, uma vez que foram vítimas. Esperava-se deles uma escolha melhor de palavras."

Para a publicação, a retórica utilizada tem por objetivo desqualificar os manifestantes e a oposição, além de revelar governantes "acossados". O editorial diz, no entanto, que as instituições brasileiras não estão em perigo desta vez, mas que "a corrupção é um veneno mortal que deve ser combatida".

Para o jornal, o impeachment certamente não é a melhor solução, apenas a menos trabalhosa. "Uma eleição presidencial antecipada teria a vantagem de dar voz aos brasileiros", afirma o diário. "Ela permitiria a cada um, inclusive ao PT, fazer valer seus argumentos. E, ao Brasil, lidar com as crises econômicas e de confiança, algo que também atinge outros países. Independente do que aconteça, (que seja) em respeito à Constituição."

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