Ao criar pasta, Lula falava em fim da partilha política

Nova secretaria surgiu para acalmar PSB, que havia perdido Ministério da Integração Nacional para PMDB

Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 00h00

O presidente Lula criou a Secretaria Especial de Portos em 8 de maio de 2007, como um afago ao PSB, desalojado meses antes do Ministério da Integração Nacional para atender às demandas crescentes do PMDB. Inconformado, o PSB vinha reagindo com duras cobranças - "Os ânimos estão fervilhando", advertira o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS). Não foi simples abrir espaço para os velhos aliados, pois o Ministério dos Transportes não queria perder o filão.Mesmo em meio a tamanha briga política, Lula falava em fim da partilha política. "O porto não pode ser uma partilha de partidos ou de pessoas que não têm competência profissional", discursou, em 15 de maio do ano passado, ao dar posse a Pedro Brito na secretaria - que tem status de ministério. "O que eu quero no porto é gestão para resolver um problema crônico."Prioridade no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o setor dos portos receberá uma fatia de R$ 2,7 bilhões até 2010. Para compensar o PSB pela saída do deputado Ciro Gomes (CE) da Integração, sem desagradar ao PR, Lula teve de desenhar uma fórmula curiosa - os portos marítimos ficaram sob responsabilidade da secretaria, mas os portos fluviais seguiram com a pasta dos Transportes, acalmando o ministro Alfredo Nascimento (PR).A partilha do setor é conhecida na seara política. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), por exemplo, já teve forte influência na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Com o fim do governo Fernando Henrique Cardoso e início da gestão Lula, porém, ele perdeu influência e o PR assumiu as indicações.LOTEAMENTOEm 5 de julho de 2007, Brito disse que, para acelerar as obras do PAC, as gestões das Docas seriam "profissionalizadas". Declarou que as sete companhias estavam loteadas e, por isso, não funcionavam: "Daqui para frente, todas as companhias Docas vão ser geridas por profissionais do mercado. Não existirão, como no passado, indicações somente políticas."A pressão da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), porém, garantiu a indicação de Fabrizio Pierdomenico, ligado ao PT, para um importante posto na secretaria.

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