Ao comemorar 10 anos, Fórum Social avalia erros e acertos

10ª edição do evento começou nesta segunda, 25, reunindo líderes da esquerda e movimentos sociais

Jair Stangler, do estadao.com.br,

25 de janeiro de 2010 | 14h06

Começou nesta segunda-feira, dia 25, a 10ª edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O evento deste ano propõe uma reflexão dos 10 anos da realização do FSM. Cerca de mil pessoas presenciaram as primeiras mesas de discussões. Foi a primeira vez que o Fórum foi realizado em Porto Alegre, berço do evento, desde 2005, ano em que o PT deixou a prefeitura de Porto Alegre. O prefeito José Fogaça (PMDB), comemorou o retorno do evento à capital gaúcha e anunciou a criação de um memorial para o Fórum em Porto Alegre.

 

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Um dos mais ovacionados do evento foi o ex-ministro das Cidades Olívio Dutra (PT), governador do Rio Grande do Sul à época da realização das duas primeiras edições do evento. Segundo ele, o retorno do Fórum a Porto Alegre, demonstra o vigor do evento 10 anos depois. Olívio lembrou o início de seu governo à frente do Estado, quando enfrentou "forte resistência dos setores conservadores da sociedade", mas destacou que havia naquele momento, havia um sentimento favorável à realização do Fórum, com a prefeitura de Porto Alegre e o governo do Estado nas mãos do PT. "Tínhamos projeto de controle social do Estado, de participação popular", disse. Segundo Olívio, pessoas que eram contra tiveram de admitir a importância do FSM. Mas afirmou que ainda é preciso influir nas decisões dos organismos supranacionais: "O Fórum deve ser a voz e a vez da sociedade civil global". "Propomos a globalização, não a do mercado, não a do lucro, a do dinheiro, a democracia radical, representativa, participativa", afirmou ainda.

 

Outra estrela do evento foi o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile. Stédile lembrou o processo de criação do Fórum, que reuniu diversas movimentos de luta contra o neoliberalismo em todo mundo. Mas admitiu que o Fórum falha ao não propor programas mais propositivos e por não construir espaços de ação. "Um Fórum não muda o mundo, quem muda o mundo são as massas", afirmou. Ele aproveitou ainda para criticar o governo de Yeda Crusius (PSDB) no Rio Grande do Sul: "Nunca desde a redemocratização houve um governo tão fascista no RS".

 

Porto Alegre x Davos

 

A comparação entre o Fórum Social Mundial e o Fórum Econômico de Davos, presente desde a primeira edição do evento, pontuou a fala de outros palestrantes do dia. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Ivar Pavan (PT), afirmou que os países que seguiram as diretrizes políticas do FSM saíram melhores da crise financeira de 2008 do que aqueles que seguiram as diretrizes de Davos.

 

Já o secretário de relações internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antônio Felício, o FSM "acertou muito mais do que errou", disse. "Davos só errou." Segundo Felício, o FSM sempre questionou o Estado mínimo, o neoliberalismo, a ausência de controle de capitais - razões apontadas com unanimidade pelos participantes como causadoras da crise financeira mundial de 2008. Felício, no entanto, destacou que os movimentos sociais ainda precisam agir de forma mais coordenada e defendeu uma agenda consensual para os movimentos.

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