Ao citar caso, Dilma afirma não ter cometido ‘delito’

Presidente diz que não cometeu ‘ato incorreto’ nem ‘crime’ ao atrasar repasse a bancos, em evento em Roraima

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 07h21

Um dia após o Supremo Tribunal Federal suspender a instalação da Comissão Especial do impeachment na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff declarou ontem que não cometeu nenhuma “ação incorreta” ou “delito” ao se referir às pedaladas fiscais. A manobra contábil é um dos principais argumentos do parecer de juristas que sustenta a abertura do processo de impedimento da presidente na Casa. Consiste em atrasar de forma proposital uma despesa.

“O Minha Casa Minha Vida é uma das razões pelas quais eu estou sendo julgada. Eles acham que nós não gastamos tudo o que gastamos ou que deveríamos ter gastado os recursos que investimos no programa. É o que eles chamam de pedaladas fiscais”, disse a presidente em evento de entrega de moradias do programa federal Minha Casa Minha Vida, em Boa Vista (RR).

Dilma detalhou o argumento da oposição. “Mas que nem sempre o governo federal paga no mês que deveria e a Caixa Econômica arca com essa despesa. Quando chega no final do ano, o banco tem mais dinheiro do que o necessário porque nós pagamos com juros. Eles não concordam com essa maneira porque seria um empréstimo e a Caixa não pode emprestar para o governo”, destacou.

A presidente acrescentou que tal atraso no pagamento aos bancos públicos não é nenhum delito. “Não cometi nenhuma ação incorreta, não há crime nem delito. Eu vou continuar fazendo o Minha Casa Minha Vida. Não estou desafiando ninguém.”

Dilma Rousseff afirmou que o ritmo de entrega do programa habitacional será outro. “Vamos fazer em um ritmo um pouco menor, porque vamos ter que pagar as prestações no ato. Mas vamos continuar com o Minha Casa Minha Vida. O governo federal vai se empenhar e fazer o maior programa e, quando fechar 2018, o Brasil terá poucas pessoas sem a casa própria”, disse, destacando que em algumas cidades a cada cinco casas, uma é do programa federal.

Anúncios. A presidente fez três anúncios à população roraimense. O primeiro foi a assinatura da licença ambiental prévia, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para a construção do Linhão de Tucuruí, que interligará Roraima ao Sistema Interligado Nacional de energia. O segundo anúncio foi com relação à transferência de terras da União para o Estado de Roraima. Dilma assinou também ordens de serviço para elaboração de projetos para reestruturação e asfaltamento de três rodovias federais no Estado, incluindo a BR-174, que interliga o Brasil à Venezuela.

 

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