Ao abrir Conselhão, Temer diz que antes de assumir governo País passava por 'déficit de verdade'

Em discurso de abertura do 45ª Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, presidente reafirmou importância de diálogo e do papel do legislativo para o governo

Igor Gadelha e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2016 | 10h35

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse nesta segunda-feira, 21, durante discurso de abertura do 45ª Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, que além do déficit nas contas públicas ao assumir o governo ele encontrou também "um certo déficit de verdade" e que não seria possível continuar neste caminho. "É preciso encarar os fatos tal como são", disse. "Agora a realidade bate a porta e cobra naturalmente o seu preço", disse.

O presidente afirmou que "não há dialogo construtivo sem franqueza" e ressaltou que o diálogo é um dos suportes de seu governo "ao lado da ideia de que é preciso reformar para crescer".

Temer disse que seu objetivo de retomar o crescimento é gerar emprego e voltou a destacar que "o diálogo não deve ser mero acessório, é traço fundamental na democracia".

'Interlocução'. Ao abrir a reunião, Temer disse que "não nos falta determinação para agir, assim como não nos falta humildade para escutar” e afirmou que "humildade é menos para falar e mais para escutar". "Nesse conselho teremos canal privilegiado para interlocução com diversos setores", afirmou.

Antes de sua fala, Temer cumprimentou cada um dos conselheiros e disse que dava boas-vindas aos novos 59 integrantes. O presidente destacou ainda que o grupo atual é mais representativo e destacou que há o dobro de mulheres nesse Conselhão. "A mulher hoje é produtora da riqueza nacional", disse. "Vejo nessa sala uma extraordinária soma de talento e espírito público. Vamos trabalhar para que vejam em nós um governo de abertura ao diálogo e união de esforços."

Ele voltou a destacar também a importância do legislativo para o governo. “É importante ter o apoio do parlamento para que tudo que nós produzimos a favor do País seja avaliado”, disse.

O presidente afirmou ainda que a governabilidade significa o apoio da sociedade e que os conselheiros agora passam a fazer parte do governo e "serão os agentes da governabilidade".

'Cisão raivosa'. Segundo Temer, um dos principais objetivos do colegiado é pacificar o Brasil. Para ele, não pode haver uma "cisão raivosa" entre os brasileiros.

“Não há como continuar com o Brasil dividido. Dividido em ideias, não tem importância, dividido em conceitos, não tem importância, porque a democracia vive da controvérsia, da contrariedade, porém argumentativa. Não pode haver uma cisão raivosa entre os vários brasileiros, nós que sempre tivemos fama de ser conciliadores e amigáveis”, disse.

Temer afirmou que, ao assumir o governo, em maio deste ano, encontrou o País imerso em uma das piores crises da história. Nesse contexto, disse, era necessário construir pontes e articular consenso. “Era necessário restabelecer relação harmônica entre os poderes”, afirmou o presidente da República. 

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