Anvisa suspeita de produção inadequada do Celobar

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspeita de que o laboratório Enila tenha utilizado matéria-prima sintetizada de forma inadequada para produzir o Celobar, contraste usado na realização de exames de diagnóstico por imagem. O produto pode ter causado a morte de 21 pessoas em cinco Estados, entre eles São Paulo, onde um aposentado morreu, em 29 de maio, um dia depois de ter tomado o medicamento. Após inspeção realizada nesta quarta-feira na fábrica da Enila, em Jacaré, na zona norte do Rio, a Anvisa e a Vigilância Sanitária constataram que a quantidade de Sulfato de Bário (princípio ativo do Celobar) comprada pela empresa é menor do que a necessária para a produção do lote comercializado.A diferença de 600 quilos praticamente coincide com os 595 quilos de Carbonato de Bário adquirido pelo laboratório. A substância é usada na fabricação de tintas e solventes, mas pode ser transformada em sulfato de bário. A Enila admitiu ter realizado a síntese, mas garantiu que o fez a título de experiência e descartou o material. Até agora porém, não comprovou o destino da substância.Segundo a Anvisa, o laboratório não tem capacidade tecnológica para fazer a síntese e garantir a pureza do produto. Nesta quinta-feira, o laboratório se limitou a emitir uma nota em que contesta as informações dos técnicos do governo. Segundo o comunicado, ?todas as matérias-primas utilizadas em todos dos produtos, inclusive o Celobar, fabricados até o presente, têm origem conhecida e comprovada?.O serviço de teleatendimento parou de funcionar pelo menos três horas antes do horário normal e o site estava fora do ar. A Anvisa voltou a sustentar nesta quinta-feira que nenhuma nota fiscal foi apresentada para comprovar a procedência de parte do material usado na produção do Celobar.

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