Anvisa notifica laboratórios por falta de remédios

Laboratórios de todo o País tem até o fim desta terça-feira para informar à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a situação de seus estoques. O órgão notificou 14 empresas na última segunda-feira, após uma série de publicações afirmarem a falta de medicamentos em território nacional. A fabricação e distribuição de remédios teriam sofrido reflexo da paralisação dos servidores, em greve desde 16 de julho.

GHEISA LESSA, Agência Estado

28 de agosto de 2012 | 15h21

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse, na semana passada, que a escassez de medicamentos e insumos registrada em unidades do País não teria relação com a greve de funcionários da Anvisa. A agência, no entanto, ressalta não ter certeza nas consequências que a paralisação possa ter causado para a saúde dos brasileiros.

"Queremos saber se há de fato falta de produto e o motivo para adotarmos medidas cabíveis junto às empresas", afirma o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Barbano. Conforme nota oficial divulgada pelo órgão, os 14 laboratórios notificados tiveram seus medicamentos citados, em algum momento, pela imprensa como estando em falta nas prateleiras de farmácias ou unidades de saúde. Barbano afirma ainda que "não há relatos das Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios sobre desabastecimento".

Apesar de o constante rebatimento do ministério de que nenhum medicamento deixou de ser distribuído em função da greve, auditores e técnicos da Receita Federal afirmaram ao Grupo Estado, no último dia 23, que há mercadorias paradas nos portos em função da paralisação da categoria.

No documento, a Anvisa solicita ser avisada sobre qualquer problema relacionado a liberação de medicamentos. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) negocia, ao longo desta terça-feira, com o governo federal o fim da greve.

A categoria está em greve nacional há 72 dias. Uma reunião de negociação aconteceu na tarde da última segunda onde o Ministério do Planejamento apresentou a proposta oficial do governo. A categoria negou e fez uma contraproposta que é analisada nesta terça. Questionado sobre o fim da greve nacional, o Sinagências afirma que se o governo não mudar a oferta, a paralisação continua. "A proposta feita ontem (segunda) não atende o mínimo do que a categoria pede. Do jeito que está, não haverá acordo. Esperamos que o governo altere para haver acordo o quanto antes", diz o diretor de comunicação do sindicato, Ricardo Holanda.

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