Anvisa confirma contaminação em 10 próteses de silicone

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou hoje, por meio da assessoria de imprensa, que são 15 os casos notificados de contaminação pela bactériaMycobacterium fortuitum na região de Campinas. Segundo a Vigilância Sanitária da cidade, 10 casos de contaminação emcirurgias para implantação de próteses mamarias de silicone estão confirmados, sendo nove ocorridos no município e um em Jundiaí, o que caracteriza surto da doença. A Vigilância de Campinas informou desconhecer os cinco casos suspeitos e alegou que a confirmação dos outros dez é baseada em laudos do Instituto Adolfo Lutz. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC) divulgou sete casos confirmados e sete suspeitos, em investigação, conforme antecipou ontem o Estado. A coordenadora da Saúde Coletiva da Secretaria Estadual de Campinas, Salma Balista, explicou que o número de vítimaspode ser maior. As infecções confirmadas ocorreram a partir de fevereiro do ano passado em cinco hospitais de Campinas, um deles público, com implantação de próteses da empresa Silimed, sediada no Rio de Janeiro, disse Salma. O nome dos hospitais e das pacientes é mantido em sigilo pela Secretaria. De acordo com a coordenadora, a hipótesemais provável é que as vítimas tenham sido contaminadas com o molde, ou medidor, implantado nas pacientes para teste detamanho antes da colocação da prótese definitiva. Dos 10 casos confirmados, conforme o coordenador da Vigilância em Saúde de Campinas, Vicente Pisani Neto, 9 utilizaram o molde. O secretário-geral da SBCP, Osvaldo Saldanha, atribuiu a contaminação à água utilizada para lavar o molde. Segundo apresidente da Comissão Permanente sobre o Silicone da SBCP, Wanda Elizabeth Côrrea, as informações colhidas até agoraindicam que a bactéria estava no reservatório de água de Campinas. O diretor da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria Estadual de Saúde, infectologista LuizJacintho da Silva, esclareceu que é comum a presença da Mycobacterium fortuitum na água. ?A água é geralmente o contaminante nesses casos?, afirmou. O médico explicou que o microorganismo não faz mal a pessoas com saúde regular, mas pode trazer problemas de infecção para indivíduos com alteração de imunidade. Essas infecções, conforme ele, são raras e ocorrem geralmente em casos de implantação de próteses. A Silimed divulgou comunicado hoje também atribuindo a contaminação à água. A empresa que comercializava os produtos da Silimed em Campinas, Ortonal, está interditada desde o último dia 20 pela Vigilância Municipal, porque não tinha alvará de funcionamento. A Secretaria Estadual de Saúde interditou três lotes de próteses da Silimed encontradas na Ortonal e proibiu o uso demoldes distribuídos pela empresa. Segundo a Silimed, não são lotes, mas três unidades. Ninguém foi encontrado na Ortonal para comentar o assunto.

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