Anúncio de nomes para Ibama não tem prazo

Ministra espera reestruturação do órgão, agora dividido, e Congresso ainda precisa votar MP

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda não tem prazo para nomear um presidente definitivo para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nem para o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade. De acordo com seus assessores, as nomeações só ocorrerão com a consolidação do processo de divisão da instituição."É um trabalho de reestruturação que deve ser feito de forma sólida e cuidadosa", explica João Paulo Capobianco, secretário-executivo do ministério e presidente interino do Ibama. "Nesse período, as instituições continuam funcionando normalmente." De acordo com a pasta, a demora não está associada à lentidão do Congresso, que ainda não se definiu sobre a medida provisória que, há quase três meses, dividiu o Ibama e deu origem ao Instituto Chico Mendes. Aprovada na Câmara, a MP aguarda a apreciação dos senadores, o que só deverá ocorrer depois do recesso parlamentar iniciado na quarta-feira.A espera - somada ao debate cada vez mais áspero em torno da concessão de licenciamento ambiental para obras vinculadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - contribui para aumentar a expectativa em torno dos possíveis nomes a serem escolhidos."O Ibama ganhou destaque neste governo e o licenciamento tornou-se um dos grandes pontos de discussão na área do PAC", diz Adalberto Veríssimo, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). "Há muita pressão em torno do instituto e essa expectativa é natural. Para os ambientalistas, o ideal seria um presidente eficiente, capaz de dar mais agilidade ao instituto, mas ao mesmo tempo vigilante, que não assinasse embaixo tudo que pusessem sobre sua mesa. Para não ser um entrave ao desenvolvimento, o Ibama precisa ter credibilidade, transparência e agilidade."COMPROMETIMENTOPara Adriana Ramos, assessora do Instituto Socioambiental (ISA), a escolha deve recair sobre pessoas "escancaradamente comprometidas com a questão ambiental". Ela observa que no Ibama o presidente sofrerá enormes pressões, tanto de ambientalistas "xiitas" quanto de pessoas interessadas em atropelar a legislação.Na opinião do ambientalista Roberto Smeraldi, da organização Amigos da Terra, o presidente do Instituto Chico Mendes deve ter conhecimentos sobre gestão econômica, para garantir a sustentabilidade das áreas de conservação: "Essas unidades deveriam deixar de ser um ônus para o Brasil, transformando-se num bônus."FRASEAdalberto VeríssimoPesquisador do Imazon"Há muita pressão em torno do instituto. Para os ambientalistas, o ideal seria um presidente eficiente, capaz de dar mais agilidade ao instituto, mas ao mesmo tempo vigilante, que não assinasse embaixo tudo que pusessem sobre sua mesa"

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