André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Anúncio de Lula contou com equipe britânica especializada em 'administração de reputações'

Evento para divulgar inclusão na reclamação feita em comitê da ONU de novas evidências de violações contra o ex-presidente ocorreu no Clube Suíço da Imprensa

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 06h00

GENEBRA – Para anunciar a inclusão na reclamação feita em comitê da ONU de novas evidências de violações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista contou com uma equipe levada até Genebra para a ocasião. Do Brasil, dois advogados viajaram até a Suíça, enquanto o jurista australiano Geoffrey Robertson também se uniu ao grupo. 

O evento ocorreu no Clube Suíço da Imprensa e também foi organizado por uma equipe da BLJ London, uma empresa que, em seu site, aponta que dá “conselhos estratégicos discretos”. “Administramos reputações”, aponta. Dois funcionários da empresa viajaram do Reino Unido até Genebra para o evento. Entre os clientes da empresa estão a Ralph Lauren, Catar, The Walt Disney Company e o Principado de Monaco. O Estado enviou e-mails e mensagens de telefone para as pessoas ligadas à empresa. Mas não obteve resposta às perguntas sobre quem teria contratado a empresa britânica.

Na sala, nove jornalistas acompanharam a coletiva. Os organizadores indicaram que mais de 3 milhões de pessoas assistiram a transmissão pela Internet. Lula, apesar de aparecer em um vídeo ao vivo, não respondeu a perguntas. Sete pessoas da organização trabalharam no evento. 

Para explicar o caso para a imprensa internacional, os advogados apontaram que o apartamento triplex no Guarujá seria em uma “praia de segunda categoria” e que Lula “desistiu” de uma compra. Sobre o sítio em Atibaia, os advogados explicaram que Lula tem “amigos muito ricos” e que usava o local para “encontros da família”. Segundo Robertson, Lula mora em um “lugar muito modesto”. 

Outro argumento apresentado é de que a imprensa tem feito uma campanha contra o ex-presidente, com “acusações frívolas”. Segundo Cristiano Martins, acusa-se Lula até mesmo de ser “proprietário” de um estádio de futebol, numa alusão à Arena Corinthians.

Ao explicar o interrogatório de Lula, os advogados apontaram que ele foi “forçado a entrar em um carro e conduzido por uma hora” até uma sala no Aeroporto de Congonhas. O evento começou com Robertson afirmando que Lula está sendo alvo de uma “campanha de demonização pela imprensa brasileira” e que isso seria uma estratégia para “impedir” que o petista possa concorrer à eleição presidencial em 2018.  

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