Anúncio de equipe ministerial tenta conter desgaste

Dilma prepara divulgação de novos ministros, a começar pela Fazenda, mas agenda é insuficiente para amenizar impacto da Lava Jato

DÉBORA BERGAMASCO, RAFAEL MORAES MOURA e VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h01

BRASÍLIA - Em reunião que durou mais de dez horas, ontem, no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff discutiu ontem com auxiliares medidas para desviar o foco da crise da Petrobrás, acelerando mudanças nos ministérios para o segundo mandato. Preocupada com o impacto das investigações da Operação Lava Jato, Dilma montou uma força-tarefa para preparar uma agenda "positiva".

A presidente chamou para uma conversa reservada os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador da Bahia, Jaques Wagner.

Considerado um curinga na nova equipe, o governador da Bahia terá papel de destaque na Esplanada. O nome dele é citado para ocupar os Ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Planejamento ou da Justiça.

Dilma vai começar a anunciar os novos ministros a conta-gotas, nos próximos dias. A primeira escolha será a do titular da Fazenda, que substituirá Guido Mantega. Embora assessores tenham dito à presidente que esse fato, por si só, pode ajudar o governo a tirar os holofotes da crise, a avaliação feita ontem, no Alvorada, é que o efeito "equipe nova" não será suficiente para abafar o escândalo.

Nomes. Para quitar a fatura pelo apoio eleitoral do PROS à sua candidatura de reeleição, Dilma quer indicar o governador do Ceará, Cid Gomes, para a pasta da Educação. E, como cota pessoal, estuda dar a pasta da Defesa ao secretário executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas.

Estas seriam uma forma de diluir o impacto dos vazamentos de denúncias de corrupção e propina na Petrobrás, imprimindo no noticiário diário um assunto menos prejudicial ao governo, de acordo com interlocutores da presidente.

A avaliação é a de que Dilma está gastando boa parte de seu capital político conquistado com sua reeleição para blindar sua gestão dos abalos causados pelas delações premiadas do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef - dois dos principais alvos da Operação Lava Jato. Capital que terá de ser revalidado, especialmente agora com a prisão de parte dos empreiteiros mais importantes do País na mais recente etapa da operação da Polícia Federal.

Economia. O receio do Palácio do Planalto é com as consequências do escândalo sobre a maior estatal do País e também sobre a economia, uma vez que a crise já começou a afugentar investidores. As ações da Petrobrás caíram novamente ontem.

Na agenda positiva em construção pela presidente, as medidas impopulares para ajustar as contas públicas, como aumento de impostos, acabaram ficando no congelador.

Em uma tentativa de acertar o passo do governo em meio à crise, Aloizio Mercadante anunciará hoje, no Palácio do Planalto, o início das atividades de grupos de trabalho para produzir medidas de estímulo e competitividade à indústria. A ideia é contemplar as áreas de infraestrutura, desburocratização, comércio exterior, compras governamentais e inovação.

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