Anúncio antecipado não foi ''erro'' do governo, diz Amorim

Para ministro das Relações Exteriores, preferência pelos Rafale foi resposta a compromissos de Sarkozy

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

O anúncio antecipado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sua preferência pela compra dos caças Rafale, da companhia francesa Dassault, foi a resposta aos compromissos do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de transferência "irrestrita" de tecnologia.

Não se tratou de um "erro" do governo, do ponto de vista do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Conforme explicou, também pesaram as garantias de Sarkozy de fixar um preço compatível com os de venda dos Rafale às Forças Armadas francesas e de reservar o mercado latino-americano para a futura produção dessas aeronaves pela Embraer.

"Isso não só apareceu na oferta técnica, mas também foi referendado pelo próprio presidente Sarkozy", afirmou Amorim, referindo-se a uma carta do líder francês, elaborada no início da madrugada do dia 7 de setembro, que permitiu o anúncio do governo no começo da tarde.

"Houve uma decisão de preferência nítida pela proposta francesa. Mas as formalidades da licitação, que têm de ser seguidas, são outra coisa", disse, deixando em aberto a possibilidade de a negociação entre o Brasil e a França não ser concluída e de serem retomadas as ofertas de venda dos caças Gripen, da sueca Saab, e dos F-18 Super Hornet, da americana Boeing.

Conforme o Estado detalhou ontem, a carta pessoal de Sarkozy foi o resultado de uma queixa do presidente Lula - feita durante o jantar que ofereceu no Palácio da Alvorada no domingo passado - quanto ao "preço absurdo" que constava da proposta da Dassault. Diante do risco de retornar a Paris sem um compromisso para viabilizar comercialmente o produto - estigmatizado pelo fracasso de todas as negociações de venda ao exterior -, Sarkozy concordou em registrar as ofertas adicionais.

Os termos da carta foram negociados pelos ministros da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e da França, Hervé Morin; pelos embaixadores dos dois países, Maurício Bustani e Antoine Pouillieute, e pelo assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. O texto da carta apresentou ainda o compromisso de compra, pela França, de dez aviões de transporte militar KC-390, que está sendo projetado pela Embraer.

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