Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

‘Anular julgamento não é posição do PT’

Rui Falcão diz que manifestação de militantes não representa postura oficial do partido; para ele, ex-dirigentes não são presos políticos

João Domingos e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2013 | 22h18

Brasília - O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), disse que o pedido de anulação do julgamento do Supremo Tribunal Federal não representa a posição oficial do partido. Escalado para coordenar a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, Falcão afirmou não considerar como presos políticos o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

O pedido de anulação do julgamento apareceu na quinta-feira à noite, durante a abertura do 5.º Congresso do PT, quando Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram cobrados por militantes que chamavam Dirceu, Genoino e Delúbio de "guerreiros do povo brasileiro" e clamavam por solidariedade de outros petistas.

"São campanhas que se fazem, mas essa não é a posição do PT", afirmou Falcão. Na quinta-feira, o presidente do PT foi o único a defender publicamente os condenados, ao dizer que nenhum deles comprou votos no Congresso nem usou dinheiro público ou enriqueceu. "Se eu não falasse, vocês iriam dizer que eu fugi do assunto. Mas eu falei com moderação", afirmou o presidente do PT aos repórteres.

Suas declarações, contudo, não foram suficientes para desanimar ou conter os militantes, que continuaram nesta sexta, 13, a defender um redirecionamento do partido a respeito do assunto. Na sexta, eles ocuparam o auditório onde se realiza o congresso para fazer um ato em desagravo aos petistas presos.

Na mesa. O deputado Paulo Ferreira (RS), locutor oficial do encontro, chamou à mesa o deputado João Paulo Cunha (o único parlamentar envolvido no escândalo ainda em liberdade); Joana Saragoça, filha de José Dirceu; Carlos Soares, irmão de Delúbio Soares e vereador (pelo PT) em Goiânia; e o líder petista na Câmara, José Guimarães (CE), irmão de José Genoino. Para eles, a condenação dos parentes fez parte de uma ação da elite brasileira e da imprensa para desmoralizar o PT.

Joana Saragoça atacou o Supremo por "violar garantias humanas" dos sentenciados no julgamento e de cometer "ilegalidades" na execução das sentenças. Em sua opinião, seu pai foi "injustiçado por ter lutado por um País melhor".

Carlos Soares falou, emocionado, do "sofrimento da família" e concluiu que o "crime" imputado aos petistas se deve ao fato de o governo ter tirado "milhares de pessoas da pobreza".

Já o deputado José Guimarães disse ter estado na manhã desta sexta com Genoino. Este pediu para que os militantes "não abandonem" os presos e se mantenham unidos na adversidade. Guimarães negou que tenha havido compra de votos e refutou as acusações de desvios de recursos públicos. "Se a ditadura militar não calou o PT, ninguém vai calar", emendou.

Discrição. Dilma, Lula e a cúpula do PT não queriam que a abertura do congresso, na quinta-feira, se transformasse em homenagem aos condenados do mensalão – tudo foi planejado para deixar as manifestações restritas aos parentes e amigos desses presos – uma hora em que funcionários do governo não estariam presentes. Houve, porém, pressão de correntes de esquerda do PT. Dilma foi avisada, ainda, de que era impossível conter a plateia e que seria necessária uma declaração mais firme do presidente do PT. Mesmo assim, servidores da Presidência tentavam impedir militantes de levar faixas para o auditório com apoio aos presos.

Na tarde de sexta, a nova direção do PT se reuniu com a assessoria da Presidência para acertar diferenças. O Planalto está preocupado em diferenciar a comunicação do partido e a do governo. E, de seu lado, os petistas insistem em ter mais acesso às informações do Planalto para usá-las em programas de rádio e TV, entre fevereiro e maio de 2014. "Temos de ter conhecimento do que eles fazem", disse o novo secretário de Comunicação da legenda, vereador José Américo Dias (SP), presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

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