''Antissemita'' é criação de Bush, diz Hosny

Ministro egípcio acredita ser possível reverter veto dos EUA ao seu nome para dirigir Unesco

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

21 Maio 2009 | 00h00

O ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny, acredita que a acusação de antissemitismo é um obstáculo que já pode ser retirado de seu caminho rumo à direção geral da Unesco. Em visita ao Rio, Hosny disse que a frase foi retirada do contexto original e teria sido uma "emboscada armada pelos governos de Israel e dos Estados Unidos", durante o mandato de George W. Bush. Ele diz já ter aberto um diálogo com o governo de Barack Obama, o que pode permitir o fim do veto dos Estados Unidos ao seu nome. O referendado por Obama pode ser o brasileiro Márcio Barbosa, atual diretor adjunto da Unesco, preterido pelo Itamaraty - assim como o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). O governo brasileiro decidiu apoiar Hosny em nome da política de aproximação do Brasil com países árabes, consagrada na Cúpula América do Sul - Países Árabes, em 2005. Para Hosny, o Brasil entendeu que "é a vez de um árabe" na Unesco e terá, em retribuição, apoio das nações de maioria muçulmana para candidaturas como a vaga pretendida pela ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie no órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio. Ministro da Cultura do Egito há mais de duas décadas e administrador do patrimônio de antiguidades do Egito, Hosny caiu em desgraça nos EUA e na Europa em 2008, depois que entidades judaicas protestaram contra a declaração de que queimaria livros em hebraico no Egito. Segundo ele, a frase foi uma resposta irritada a opositores do governo, para negar a existência de livros israelenses em bibliotecas do país. "Há menos de dois meses estive numa cerimônia em Paris em homenagem às vítimas do Holocausto e expliquei minha posição diante de representantes de entidades judaicas." Hosny lembrou ainda que árabes e judeus têm uma raiz comum e, por isso, a condição de antissemita seria uma incoerência para um egípcio. Crítico do fundamentalismo islâmico, Hosny defende o ensino laico e condena a obrigação do véu para meninas nas escolas. Para o egípcio, o investimento numa educação global laica, em equilíbrio com as tradições locais, pode enfraquecer o radicalismo religioso institucionalizado que favorece conflitos. Para desenvolver a estratégia que chama de "paz intelectual", ele diz que lutará por um aumento significativo no orçamento bianual da organização, hoje em torno de US$ 600 milhões. De acordo com o ministro egípcio, a Unesco seria um importante instrumento para a paz em regiões de conflito, como o Oriente Médio. "Ninguém melhor que um egípcio para assumir essa missão, pela proximidade com Israel e o conflito palestino."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.