Antigas amizades garantem ''''aliados ocultos'''' ao senador

Lista inclui governador Teotônio Vilela, Aldo Rebelo e Augusto Farias

Expedito Filho, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Brasília - Diante dos holofotes, a defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL) fica por conta dos senadores peemedebistas Almeida Lima (SE) e Wellington Salgado (MG), mas, à sombra, a aliança de apoio é muito mais sortida.O governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), tem confidenciado a colegas tucanos que, para fazer sua gestão deslanchar, depende da parceria política com Renan. Com esse argumento, espera convencer senadores e governadores do partido a trabalharem pela absolvição do peemedebista. Procurado, Teotônio não falou sobre o assunto porque estava num avião que o levava até Brasília.Outro que integra o grupo de apoio a Renan é o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Os laços com Aldo e seu partido estão na gênese política do presidente do Senado. Nos tempos em que seu patrimônio se resumia a um Fusca, Renan era uma das jovens promessas do partido comunista e tinha por Aldo amizade e admiração. Ambos trilharam o caminho do combate à ditadura, ainda que, ao se restabelecer a democracia, Renan seguisse em legendas alienígenas à extrema esquerda, como, por exemplo, o PRN. Os dois também dividiram o poder no Congresso no mesmo período: Renan no Senado e Aldo com a presidência da Câmara. Tanta identidade leva o PC do B a um alinhamento automático com o líder alagoano. O voto do senador Inácio Arruda (PC do B-CE) já é dado como certo. Apesar de suplente no Conselho de Ética, o senador comunista sempre que pode socorre o ex-militante em apuros. A assessoria de Aldo não conseguiu localizá-lo para comentar as razões que o levam a apoiar Renan.Habituado aos terremotos provocados pelos escândalos, o deputado Augusto Farias (PTB-AL), irmão de Paulo César Farias, que era tesoureiro de campanha de Fernando Collor, também foi demonstrar sua solidariedade a Renan. No passado, quando fora acusado pelo próprio Renan de ter conhecimento dos negócios ilegais de PC Farias, Collor vaticinou a frase "o tempo é o senhor da razão". Quinze anos depois de seu afastamento da Presidência, Collor resolveu ajudar Renan. Licenciou-se do Senado para permitir que seu suplente, Euclides Mello, vote pela absolvição do presidente da Casa.DESCONTROLEOntem, um dos filhos de Renan, Rodolfo, deu sinais da tensão que cerca a família. Ele reagiu com gestos obscenos e xingamentos à presença de fotógrafos do lado de fora da residência do peemedebista.Rodolfo, que entrou e saiu várias vezes, jogou o carro na direção do fotógrafo André Dusek, do Estado, para assustá-lo. Também ameaçou jogar um ovo em outro jornalista.

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