Albart Rosa/AGP
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Antes de ser preso, Vargas tentava trocar a política pela gerência de uma iogurteria

Ex-petista ainda trabalhava na organização do marketing de uma importadora de cosmético

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2015 | 15h03

BRASÍLIA – Antes de ser preso pela Operação Lava Jato na última sexta-feira, 3, o ex-deputado federal André Vargas tentava iniciar uma carreira de empresário. Nos últimos meses, o ex-petista ajudava sua mulher numa iogurteria e trabalhava na organização do marketing de uma importadora de cosméticos. “Não sei se volto para a política. Estou traumatizado demais”, dizia a pessoas próximas.


Cassado em dezembro passado após suas relações com o doleiro Alberto Yousseff se tornarem públicas, Vargas estava nos últimos meses aguardando a manifestação da Justiça do Paraná e apostava que seu caso não teria maiores desdobramentos. O ex-petista disse a pessoas próximas que considerava seu caso “secundário” diante do escândalo de corrupção na Petrobras. “Meu caso é mais simples pois não tem nada a ver com a Petrobras, Paulo Roberto Costa e companhia”, afirmou antes da prisão.

Magoado com o “abandono” do PT, Vargas reclamava a todos que foi cassado “só por um voo”. O passeio de férias para o Nordeste com um avião alugado por Youssef - a um custo de R$ 105 mil - foi o estopim para que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados julgasse procedente a perda de mandato parlamentar por quebra de decoro. Durante o processo de cassação, os deputados entenderam que o ex-petista intermediou no Ministério da Saúde negócios do laboratório Labogen, de Youssef. “Não tenho porque voltar para o PT pois não disputo eleição até 2022. Se até lá tiver PT e eu quiser voltar, aí sim consideraria a hipótese de me filiar. Mas me tiraram do jogo, me lincharam moralmente por um voo”.

Vargas é investigado por quatro frentes na Lava Jato. Segundo a força-tarefa da operação, a agência de publicidade BorghiLowe Propaganda e Marketing Ltda. que administra contas publicitárias de órgãos como a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde, teria contratado serviços das empresas E-noise, Luis Portela, Conspiração, Sagaz, BH Serviços de Comunicação e Zulu Filmes para a realização de serviços de publicidade para o banco estatal e o ministério, e as teria orientado a realizar pagamentos de comissões de bônus de volume nas contas das empresas Limiar e LSI controladas por André Vargas e seus irmãos.

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