Antes de reunião sobre crise, Dilma pedala pelas ruas de Brasília

Após exercício matinal, presidente debateu com equipe os desdobramentos da Operação Lava Jato

Dida Sampaio, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 11h36

BRASÍLIA - Antes de se reunir com ministros para discutir a crise aberta pela revelação de detalhes sobre a delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, a presidente Dilma Rousseff pedalou neste sábado, 27, pelas ruas de Brasília na companhia da filha, Paula Rousseff, e de auxiliares. Aparentando bom humor, ela deixou o Palácio da Alvorada às 7h12, retornando 44 minutos depois após cumprir um trajeto de 5,2 quilômetros pela Vila Planalto, bairro em que fica a residência oficial da presidente, às margens do Lago Paranoá.

Dilma pediu que jornalistas não a assediassem no percurso. No retorno, desejou um bom fim de semana aos repórteres que a esperavam na porta do Alvorada. Em seguida, reuniu-se com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para debater os novos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Além de Paula, acompanharam Dilma no “pedal” o personal trainner e o general Marcos Antônio Amaro dos Santos, chefe da segurança pessoal da presidente. Depois da malhação e da reunião, ela embarcou para Nova York.

Como revelou o Estado, o dono da UTC citou supostos repasses irregulares ao tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, José de Filippi, e ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Os valores foram descritos em planilha intitulada “Pagamentos ao PT por caixa 2”, entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Mercadante, citado no mesmo documento, teria sido beneficiado com R$ 250 mil em 2010, quando concorreu, sem sucesso, ao Governo de São Paulo. Os três citados negam qualquer irregularidade.

A revista “Veja” deste sábado, 27, diz que o empreiteiro envolveu ao menos 18 políticos no esquema de repasses eleitorais, propina e corrupção na Petrobrás. Segundo a reportagem, houve pagamentos para as campanhas de Dilma em 2014 e do ex-presidente Lula em 2006. O empresário citou também o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o ministro Edinho e o senadores Edison Lobão (PMDB-MA), os três da base do governo, além do senador de oposição  Aloysio Nunes (PSDB-SP).


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.