Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Antes de reunião, Bolsonaro diz que governadores do Rio e São Paulo estão fazendo 'demagogia'

'O que estão fazendo no Brasil alguns poucos governadores e alguns poucos prefeitos é um crime', afirma o presidente

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 08h53

BRASÍLIA - No mesmo dia em que tem agendada uma reunião virtual com os governadores de São Paulo, Joao Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o presidente Jair Bolsonaro acusou os dois de "fazer demogagia" no enfrentamento à pandemia de coronavírus. Doria e Witzel são adversários políticos do presidente.

"Alguns poucos governadores, não são todos, em especial Rio e São Paulo, estão fazendo uma demagogia barata em cima disso. Para esconder outros problemas? se colocam junto à mídia como salvadores da pátria, como o messias que vai salvar os seus Estados e o Brasil do caos. Fazem política o tempo todo. Não é esse o caminho que o Brasil deve seguir", afirmou o presidente ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta quarta-feira, 25, pouco antes do horário marcado para a reunião virtual com os governadores do Sudeste. 

A conversa com os executivos estaduais, destacou, será sobre economia. Entre as medidas anunciadas, está a suspensão da dívida dos Estados com a União por seis meses. Como o Estadão/Broadcast publicou, os governadores do Sudeste vão cobrar liderança, esclarecimento e mudança de postura de Bolsonaro após seu pronunciamento em cadeia nacional.

Terceiro encontro

O encontro é o terceiro da série de reuniões virtuais com governadores. Na segunda-feira, Bolsonaro falou com os do Norte e Nordeste. No dia seguinte foi a vez do Centro-Oeste e do Sul. 

Após a primeira reunião, o presidente anunciou um pacote de ajuda aos Estados e municípios. Segundo o Ministério da Economia, o plano envolve R$ 88,2 bilhões em recursos. Entre as medidas estão a suspensão de dívidas com a União por seis meses e recomposição de valores perdidos nos fundos públicos que repassam dinheiro aos cofres estaduais.

Ontem, chefes dos Executivos estaduais do Centro-Oeste, embora tenham considerado a reunião produtiva e com Bolsonaro aberto ao diálogo, disseram que a ajuda era insuficiente. Eles solicitaram que a prorrogação do pagamento das dívidas com a União seja de um ano, não de seis meses e consideraram o valor de R$ 16 bilhões para para recompor o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) aquém da expectativa.

Segundo os governadores de Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul, ela não atende às necessidades diante da perda da arrecadação.

Em pronunciamento em rede nacional de TV nesta terça-feira, 24, Bolsonaro voltou a falar em "histeria" em torno da pandemia do novo coronavírus e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios.


 

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