DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Antes de Brasil x Peru em TV estatal, Bolsonaro já havia alterado mercado de transmissões esportivas

Medida provisória assinada pelo presidente em junho deu aos clubes prerrogativa de vender direitos de transmissão dos seus jogos quando forem mandantes

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 17h03

O jogo entre Peru e Brasil, nesta terça-feira, 13, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, só foi transmitido pela TV Brasil após, a pedido do governo federal, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) negociar diretamente com a Federação Peruana de Futebol, detentora dos direitos televisivos da partida.

Isso ocorreu porque a TV Globo comprou o direito de transmitir os jogos da seleção brasileira na competição somente quando o time atuar em território nacional, como mandante, e na Argentina. A emissora não chegou a um acordo para a partida de terça-feira contra o Peru e, assim, a partida seria transmitida apenas pelo EI Plus, pay-per-view da Turner. Para as Eliminatórias do Mundial de 2022, o sistema de negociação dos direitos de transmissão foi alterado. Agora, os canais precisam fechar acordos diretamente com cada federação nacional, e não mais com organizadores da competição.

"A Globo tem os direitos de transmissão dos jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo que acontecem no Brasil e na Argentina. Nos últimos meses, buscamos entendimento com os detentores de direitos dos demais jogos, sempre dentro das condições atuais do mercado. Não houve acordo, mas permanecemos abertos ao diálogo", informou a emissora em nota.

O mercado de direitos de transmissão esportiva, inclusive, é uma área que sofreu forte impacto nos últimos meses. Em junho, o presidente Jair Bolsonaro editou a Medida Provisória 984, que passou a dar aos clubes a prerrogativa de vender os direitos de transmissão dos seus jogos quando forem os mandantes, independentemente de qualquer negociação com o adversário. Até a edição da medida provisória, era preciso ter a anuência do visitante para televisionamento das partidas.

Um grupo de mais de 40 clubes, liderados por Palmeiras, Santos e Flamengo, entre outros, também lançou o movimento "Futebol Mais Livre", no qual pedem que a MP 984 seja transformada em lei. Os clubes alegam que dar os direitos de exibição aos times mandantes ajudará na democratização das transmissões de futebol no Brasil por não obrigar mais que os dois clubes envolvidos na partida tenham contrato com uma mesma emissora para ser garantida a exibição da partida.

O último Campeonato Carioca, por exemplo, teve a transmissão bastante modificada por causa da MP. Sem contrato com a Globo, o Flamengo exibiu jogo em seu canal no YouTube e, após disputa judicial, vendeu o direito de transmissão para o SBT.

Em junho, dirigentes de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro também se reuniram com Bolsonaro, em Brasília, para pedir apoio ao projeto de Lei 3.832, que altera a Lei da TV Paga para que empresas de telecomunicações possam atuar na produção de conteúdo esportivo. Eram dirigentes de clubes que venderam os direitos de transmissão da TV fechada para a Turner, empresa pertencente ao conglomerado AT&T, dos Estados Unidos, e que temiam que os contratos sejam rompidos.

 

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