Fábio Motta/AE
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Antes de apoiar Sarney, apoio Senado como instituição, diz Lula

Presidente diz defender processo justo de investigação, apuração e julgamento corretos e critica denuncismo

Clarice Spitz, da Agência Estado,

18 de agosto de 2009 | 12h07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nesta terça-feira, 18, a defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), das acusações de irregularidades na Casa, em entrevista a Rádio Tupi, dizendo que "antes de apoiar um homem (...), apoia a instituição".

 

Ele disse que Sarney, até o momento, tomou as "medidas certas" em relação à crise e afirmou que as pessoas não podem levar a sério "o oba-oba do denuncismo". Lula comparou a situação às crises vividas pelos presidentes Getúlio Vargas (1951-54) e Juscelino Kubitschek (1955-1960), que, afirmou, todo dia eram chamados de ladrões e acusados de corrupção pela UDN.

 

"Então você fala, bom, Lula, por que você apoia o Sarney? É menos do que apoiar um homem, é apoiar a instituição. Você não pode a cada vez que alguém fizer uma denúncia ao (governador) Sérgio Cabral (PMDB-RJ), você tirar o Sérgio, ou tirar o (prefeito do Rio) Eduardo Paes (PMDB). Defendo que haja um processo justo de investigação, uma apuração correta, depois se faça um julgamento correto. Depois, se a pessoa for culpada, paga pelo crime que cometeu", disse, ao lado das autoridades.

 

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Lula afirmou que Getúlio e JK foram atacados "pelos denuncistas" da sua época e chegou a citar o ex-presidente Fernando Collor (1990-1992), derrubado em processo de impeachment desencadeado por denúncias e investigações no qual o PT, partido do presidente, teve papel fundamental.

 

"Esse país teve um presidente que governou com mão dura durante 15 anos chamado Getúlio Vargas. Quase tudo que nós temos foi feito por aquele homem, inclusive a Petrobrás, esse homem nos quatro anos de democracia foi levado ao suicídio porque era chamado de ladrão todo dia, era chamado de corrupto todo dia. Juscelino Kubitschek era chamado de ladrão todo dia, é só pegar os denuncistas da época, que era a UDN, porque a direita está cheia de ética para vender, depois tivemos o Jânio Quadros, meses depois renunciou por causa de forças ocultas, depois João Goulart, tiveram que criar o parlamentarismo, caiu algum tempo depois, depois foi o Collor...", discursou.

 

Lula disse ainda que o Senado tem os instrumentos necessários para julgar o caso. "O Senado tem instrumento, o Senado já cassou Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, (José Roberto) Arruda, outros senadores, cassou o Renan (Calheiros). Então faça um processo de investigação. O Sarney tem culpa? Tem, merece ser cassado? Casse. O que não dá é que as pessoas achem que você pode trocar um presidente da instituição todo dia. Aí ninguém tem estabilidade", pontuou.

 

Todos os senadores citados pelo presidente, contudo, não foram cassados. Eles renunciaram, em meio a escândalos, para evitar a perda de mandato que os tornaria inelegíveis por oito anos.

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