Antes da visita de Bush, São Paulo ganha usina de biodiesel

Na esteira da visita do presidente americano, George W. Bush, ao País, e das possíveis parcerias na produção de etanol, empresários brasileiros lançaram na quarta-feira, 7, na Feira de Negócios de Bioenergia (Feicana), em Araçatuba, a primeira usina de produção de biodiesel com tecnologia inteiramente nacional. A usina, instalada em Piracicaba, já produz 2 mil litros por dia e pertence ao grupo Marchiori.A nova usina é a única do País com reator fabricado no Brasil, com tecnologia 100% nacional, cuja patente pertence ao grupo que controla a usina. O reator é o componente mais importante da usina, elemento central na fabricação do biodiesel. Nas demais usinas brasileiras, os reatores foram importados, em geral, da Itália, Alemanha ou Canadá. Uma segunda usina deverá ser instalada pela empresa detentora da patente até o final deste mês na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, também em Piracicaba. Esta usina, que produzirá 200 litros por dia, foi cedida para o Pólo Nacional de Bicombustível testar novas variedades de oleaginosas. Uma terceira usina, prevista para produzir 3 milhões de litros por ano de biodiesel a partir da soja e do sebo animal, será instalada e administrada pela Marchiori em Piracicaba.Mais barataEsta usina é mais barata, mais fácil de montar e elimina etapas no processo de produção, em comparação com os modelos com reator estrangeiro. Ela custa cerca de um terço de uma usina importada. "Uma usina para 25 mil litros por dia sai por R$ 15 milhões, enquanto uma estrangeira custaria em torno de R$ 50 milhões?, explica Luiz Barbosa, diretor de Energia da Marchiori.Segundo ele, a usina usa a soja ou o sebo animal como matéria-prima e tem como matriz o etanol e o metanol. "Ela é de fibra de vidro, montada em módulos, o que possibilita a sua ampliação", explicou. Segundo Barbosa, a usina brasileira vai livrar o proprietário do pagamento de royalties e do serviço de manutenção. Ele explicou que as usinas estrangeiras são feitas em inox e aço de carbono, inadequadas para locais com temperaturas altas, como o Brasil, porque o calor faz as soldas se soltarem.A Marchiori deverá construir outras 15 usinas até o final de 2007, com capacidade para produzir 40 milhões de litros por ano, num projeto que vai movimentar R$ 200 milhões. Duas delas serão montadas em assentamentos de reforma agrária, em Castilho e Pereira Barreto, interior de São Paulo. Elas serão alimentadas por matéria-prima produzida por 450 famílias em Castilho e 350 em Pereira Barreto.

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